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Horário eleitoral apresenta Dilma como ‘mãe afetiva’ e Serra, ‘professor experiente’


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Brasília - Os dois principais candidatos à sucessão presidencial chegaram ontem ao primeiro dia do horário eleitoral gratuito. Na primeira aparição do dia na TV, tanto José Serra (PSDB) como Dilma Rousseff (PT) apostando em suas biografias. Na inserção da noite, a segunda do dia, o tucano José Serra investiu integralmente na saúde, um de seus temas-chave. Apostou na mensagem de que fará no Brasil o que fez em São Paulo como prefeito e governador, além de ministro da Saúde. Pesquisas apontam o setor como líder no ranking entre as maiores preocupações dos brasileiros.

Já a petista Dilma Rousseff “atravessou” o País fazendo promessas para diversas áreas colada no presidente Lula. Iniciou o programa no Rio Grande do Sul, e dialogou com o presidente em diferentes Estados, numa espécie de jogral. A ex-ministra apresentou uma versão diferente do horário da tarde. Menos emocional e mais programática. Foi uma peça menos centrada em sua biografia.

Na aparição durante o dia, Serra foi mais programático, buscou associação com o povo e se apresentou como realizador. Não fez crítica ao governo. Ao contrário, usou em seu jingle o nome do presidente Lula. “Quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá... Para o Brasil seguir em frente, sai o Silva e entra o Zé”, cantava o refrão. “O Brasil avançou muito em muitas áreas, mas está devendo em outras”, disse um Serra sorridente e simpático, o “professor” que olhará pela educação no País e o “melhor ministro” da Saúde que o Brasil já teve.

Dilma, “o braço direito de Lula”, foi mais sentimental nos 10 minutos e 38 segundos do programa. Esteve ao lado do presidente no começo, apresentou sua trajetória pessoal e política no meio, e voltou ao padrinho no fim. Seu foco: a mulher e o discurso constante da continuidade.

“Eu realmente fico muito feliz de saber que posso entregar a faixa presidencial a uma companheira do meu partido e uma companheira mulher. É uma coisa gratificante”, apareceu Lula discursando a uma plateia repleta de mulheres. “Grande parte do sucesso do governo está na capacidade de coordenação da companheira Dilma Rousseff”, disse Lula, depois, em um depoimento. “Ela é a pessoa certa para o lugar certo.”

Com 3 minutos a menos, o programa de Serra tem o desafio de ser mais efetivo em menos tempo para virar o jogo. Serra apareceu no vídeo ao lado de pessoas comuns. Entrevistou mulheres e homens em suas casas e ouviu sobre seus problemas pessoais, na maioria relacionados à saúde.

Dilma teve ao lado companheiros do passado, da cadeia ao governo gaúcho. Apareceu no vídeo como mãe, mulher sensível e muito dedicada aos estudos. A petista, que atuou na luta armada contra o regime militar, dedicou tempo razoável, inclusive com testemunhos de antigos colegas, a seu passado na resistência.

Com muito menos tempo na TV, apenas 1 minuto e 23 segundos, a candidata do PV, Marina Silva, usou o primeiro programa na TV para falar sobre o meio ambiente, sua principal bandeira, em lugar de se apresentar e explorar sua biografia. Recheada de cenas da natureza como florestas, geleiras e animais, a propaganda trouxe a voz de Marina listando uma série de problemas decorrentes do desequilíbrio ambiental, como a falta de água e o aquecimento global.

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Por votos, partidos apostam em celebridades

Rio - O primeiro dia de propaganda na televisão mostrou que os partidos estão apostando nos candidatados famosos - ou quase - como puxadores de votos. Exemplo disso é que durante a propaganda do PR-SP o candidato com mais espaço foi o humorista e cantor Tiririca. “O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto”, disse. “Pior do que tá não fica”, arrematou o humorista, ao som de “Florentina”, sua música mais famosa.

Do mesmo partido, o vereador e cantor Agnaldo Timóteo se colocou como herdeiro político de Clodovil Hernandez, que morreu no ano passado e foi eleito com 493 mil votos em 2006. “Quarenta e dois anos de uma amizade maravilhosa, me obriga a dar continuidade aos projetos do Clodovil”, afirmou Timóteo.

Desafeto do estilista, Ronaldo Esper (PTC) também tenta uma vaga à Câmara dos Deputados. “Quero agulhar os políticos para mudar Brasília por vocês”, disse Esper.

O deputado Enéas Carneiro, falecido em 2007, continua como estrela do horário eleitoral. “Paz na família. Quem me ensinou foi o Enéas”, disse a candidata Luciana (PR), que aparece recebendo um diploma do político na sua formatura.

Além do Kiko do KBL (DEM) e da Mulher Pêra (PTN), a lista de celebridades políticas conta com Marcelinho Carioca (PSB), Romário (PSB) e Maguila (PTN).

Também não faltou o bloco dos filhos de peixe, com Raul Gil Junior (DEM), Eli Correa Filho (DEM) e Dr. Alessander Vigna (PRB), casado com Mara Maravilha.

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