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Em debate online, Serra ataca Dilma, que reage, e Marina mira o tucano

Folhapress
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São Paulo - Principais adversários na disputa pela Presidência, o tucano José Serra e a petista Dilma Rousseff protagonizaram ontem, no debate online Folha/UOL, o mais duro embate da corrida eleitoral.

Adotando estratégia mais agressiva, Serra, oito pontos atrás da petista no Datafolha, a chamou de “ingrata” e “mentirosa”. Dilma revidou, acusando-o de “calúnia”. Os dois trocaram insultos e farpas nas quase três horas de debate. Dilma chegou a pedir direito de resposta quando Serra afirmou que a administração era marcada por um “troca-troca desavergonhado”. Não obteve.

Já na primeira questão a Serra, Dilma afirmou que o DEM entrara na Justiça contra o ProUni. E questionou: “Se a Justiça aceitasse o pedido do PFL, partido do seu vice, como você explicaria essa atitude para 704 mil estudantes?”.

Serra - que chegou ao Tuca preparado para um debate mais ácido - subiu o tom. Lembrando que o PT se opôs ao Plano Real, à Lei de Responsabilidade Fiscal e até à eleição de Tancredo Neves, disse que os petistas são imbatíveis no “torneio do quanto pior melhor”.

“Fixação no passado”

“Você tem fixação no passado, no Fernando Henrique Cardoso. Muito ingrata com FHC. Você é ingrata com o Itamar e com FHC, porque eles fizeram Plano Real, LRF, Fundef”, atacou Serra.

Num mesmo disparo, o tucano disse que Dilma copiou sua proposta de implantação de Ambulatório Médico Especializado (AMEs) e insinuou que o PT deixava o trabalho sujo a cargo de sindicalistas.

Mais uma vez, Serra lançou dúvidas sobre a competência de Dilma. “Esse negócio do DEM parece brincadeira. Você também não está preocupada. Aí, algum assessor te deu isso e você vem querer criar dificuldade.”

A discussão invadiu o segundo bloco, quando Serra disse que, após o vazamento da prova e de dados, o Enem estava “desmoralizado”.

“Acho um absurdo um candidato à Presidência vir aqui dizer que o Enem está desmoralizado”, reagiu ela.

Como a petista repetiu que uma lei impedia investimento em saneamento sem que houvesse custeio de Estados e municípios, Serra disse que ela divulgava uma “mentira”. Valendo-se do termo “vazamento”, voltou à carga:

“Vocês quebraram o sigilo bancário de um vice-presidente do PSDB (Eduardo Jorge Caldas Pereira). Você disse que não tinha acontecido, chegou até ameaçar a processar e depois isso aconteceu”, disse o tucano.

Dilma rebateu: “A gente tem que ter cuidado para que o termo de calúnia não seja aquele que recaia sobre aqueles que caluniam e não provam. Nós processamos em todos os casos aqueles que falaram que vazamos qualquer coisa. Não se pode caluniar”.

A petista rompeu a estratégia de manter-se calma quando o assunto foi carga tributária em contraposição à falta de investimentos em saneamento. Dilma disse que os números de Serra eram antigos, de 2008.

“É bom atualizar o número para saber se de fato essa afirmação tem consistência”, ironizou ela, evitando olhar para o adversário.

Em resposta, Serra disse que ela estava desinformada sobre o que acontecia no próprio governo: “PIS/Cofins sobre saneamento aumentou de 3% para 7,6%. Isso foi feito no seu governo e com você, segundo se diz, coordenando o governo”.

A petista reagiu: “Discutir saneamento é algo que você não deveria tentar porque vocês não fizeram nada no Brasil nesse período (FHC)”.

Estratégia tucana

A adoção de um tom mais incisivo era a estratégia do comando da campanha de Serra, que avalia que chegou a hora de reforçar as diferenças entre as candidaturas.

Embora a posição agrade ao PSDB, o tucano subiu uns decibéis além do planejado. A escalada é atribuída ao nervosismo do candidato e também ao fato de ter sido surpreendido por ataques da verde Marina Silva.

Mais incisiva que o habitual, Marina atacou Serra duas vezes. Criticou a qualidade do ensino em São Paulo, que o PSDB governa há 16 anos, e ironizou o uso de uma favela cenográfica no programa de TV do tucano.

Ela lembrou visita a uma comunidade em Diadema (SP). “Não entendi, já que no seu programa anteontem teve uma favela virtual, quando temos uma favela tão real”.

A mudança foi incentivada por assessores de Marina, que ficou apagada na Band. Além disso, o PV avaliou que a queda de Serra nas pesquisas abriu um flanco para crescimento, especialmente nas classes A e B.

Preservada pelos oponentes, Marina só atacou Dilma no fim do debate, ao lamentar a falta de infraestrutura, “mesmo com essa história de pai, de mãe, de tio, de avô” - a petista é sempre chamada por Lula de “mãe do PAC”.

Mais tarde, Serra negou em evento que tenha sido agressivo e disse que foi “gentil como sempre”.

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Educação e reformas são temas centrais

São Paulo - Num debate marcado pela troca de farpas e pela polarização entre PT e PSDB, educação e reforma política foram os temas programáticos mais tratados pelos candidatos nos blocos em que trocaram perguntas entre si.

Temas que têm pautado a campanha, como segurança pública, política externa e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, foram ignorados pelos candidatos à Presidência.

Marina Silva (PV) usou uma pergunta de José Serra (PSDB) sobre o ensino técnico para criticar a qualidade das escolas paulistas: “Infelizmente, mesmo com 20 anos de governo do PSDB, temos graves problemas’’, disse, aumentando o período correto em quatro anos.

O tucano defendeu a rede estadual e repetiu a promessa de abrir um milhão de vagas no ensino profissionalizante até 2014: “Isso oferece futuro para os jovens e crescimento para a economia”.

Dilma Rousseff (PT) elogiou o ProUni, que facilita o acesso de estudantes pobres à universidade, para acusar o DEM de tentar extingui-lo no Supremo Tribunal Federal (STF). Serra negou, alegando que a ação do partido aliado questionava apenas uma parte do programa.

O candidato do PSDB, por sua vez, questionou a petista sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para criticar o vazamento das provas, em 2009. Segundo ele, o caso “desmoralizou” o teste.

Marina e Dilma fizeram dobradinha ao defender a convocação de uma Constituinte exclusiva para votar a reforma política.

Elas elogiaram a promessa do presidente Lula de se dedicar ao assunto após deixar o poder, em janeiro.

A senadora chegou a propor que o presidente trabalhasse em conjunto com o antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso. Dilma não comentou a ideia.

Em outro embate com a petista, Serra criticou o aumento da carga tributária e prometeu, se eleito, baixar impostos sobre a cadeia produtiva e o setor elétrico. Dilma o acusou de usar números defasados e disse que a gestão tucana não investiu em saneamento.

Com o clima quente, os presidenciáveis não se lembraram de apresentar ideias para combater a violência e o narcotráfico. Também ficaram de fora polêmicas envolvendo o Bolsa Família, as relações do governo com o Irã e a suposta ligação do PT com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), sustentada por Serra.

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