Turismo

Muralhas e centro antigo

Por Da Redação | Com Agência Estado
| Tempo de leitura: 6 min

Cercada por muralhas seculares, Cartagena de Índias olha para o Mar do Caribe. A impressionante fortificação foi construída a mando do rei Felipe II, da Espanha, para impedir os constantes ataques piratas sofridos pela cidade. Do porto local, o primeiro do continente, as pedras preciosas, a prata e o ouro extraídos das terras sul-americanas pelos conquistadores seguiam para a Europa.

Dos 11 quilômetros originais de muralhas, nove estão de pé. Os outros 2 quilômetros foram derrubados como medida para desafogar o trânsito da cidade, de 1 milhão de habitantes. Cartagena cresceu dividida. Paredões de até três metros de espessura separam o centro antigo da parte moderna. Do lado de dentro, praças, igrejas e exuberantes construções coloniais. Do lado de fora, hotéis de quatro e cinco-estrelas e a parte suburbana.

Principal destino turístico da Colômbia, Cartagena merece uma visita cuidadosa, coisa para quatro, cinco dias. Há muito a ser descoberto. A cidade é ao mesmo dinâmica e sossegada, polo difusor de cultura e conservadora. Linda sempre: de dia e, ainda mais, de noite.

Roteiro

Um roteiro obrigatório em Cartagena, fundada em 1533, pode começar pelo Castelo de San Felipe de Barajas. O forte é considerado a obra de engenharia militar mais importante do continente. Levou 121 anos para ser concluído. Sem ele, Cartagena provavelmente teria caído diante da esquadra inglesa de 186 embarcações e 30 mil homens. Defendida sob o comando de Don Blass de Leso, cuja estátua guarda a frente do forte, Cartagena resistiu. E ganhou para sempre o apelido de A Heróica.

A arquitetura do castelo inclui uma rede subterrânea com 1.720 metros de extensão. Caso o forte fosse invadido, os soldados estavam orientados a fugir por debaixo da terra: os túneis os conduziriam para a Cidade Velha, de onde tinham condições de explodir a fortaleza.

Antes de adentrar as muralhas rumo ao centro antigo de Cartagena, a dica é seguir para o Mirante da Santa Cruz de Candelária. O ponto mais alto da cidade proporciona uma boa panorâmica para fotos e é o endereço do Convento de la Popa, de 1603. O local já funcionou como hospital, manicômio e orfanato. E, como se fosse pouco, ainda serviu de abrigo para as tropas de Simón Bolívar.

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Contra estereótipos

Você precisa tomar cuidado se for viajar para a Colômbia. Cuidado, principalmente, para evitar o erro de chegar lá com a cabeça cheia de estereótipos como “o país é perigoso e violento”. A Colômbia dos noticiários - aquela que vive às voltas com grupos guerrilheiros - não é, absolutamente, a Colômbia do turismo.

“A segurança é ótima”, diz Fátima Carvalho, baiana radicada em São Paulo. Em visita à Colômbia, ela e o marido, o inglês Richard Lapper, constataram o que não se costuma ler nos jornais nem ver na TV. “Gostei muito de tudo o que vi, é bem melhor do que esperávamos”, diz Fátima. “A verdade é que aprendemos muito pouco sobre a América Latina no Brasil”, comenta. “Talvez, por isso, a gente fique tão surpresa com o que encontra na realidade.”

Ninguém é louco de dizer “não há riscos”. Sempre há, em qualquer parte do mundo. Mas, antes de mais nada, é preciso falar do que se vê, daquilo que salta aos olhos. E Bogotá, a Capital de 8 milhões de habitantes, é uma metrópole zelosa, entre outras coisas, com a limpeza pública. Difícil encontrar uma bituca de cigarro no chão. A cidadania anda em alta por lá.

É engraçado notar, também, como os colombianos se identificam com os brasileiros. São apaixonados por futebol, atenciosos, prestativos, hospitaleiros. E cultuam a vida noturna. Tanto em Bogotá quanto em Cartagena de Índias, o ponto de partida para o Caribe deles. A Rumba en Chiva, um passeio de ônibus pelo Centro Histórico da cidade litorânea é pura festa. Isso, sim, só podia ser na Colômbia.

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A Colômbia em São Paulo

Para quem se encantou com Cartagena e Médellin (leia mais na página 3), cidades colombianas carregadas de cultura e história, a dica é visitar até o próximo dia 22, na Pinacoteca do Estado, em São Paulo, a exposição “Ouros de Eldorado: Arte Pré-Hispânica da Colômbia”, que apresenta parte do belo acervo do Museo del Oro, principal ponto turístico da Capital colombiana, Bogotá.

Com 250 artefatos em ouro e 40 objetos arqueológicos de cerâmica, a coleção é considerada a mais importante de ourivesaria pré-hispânica do mundo.

Dirigida para públicos de todas as idades, a exposição pode agradar principalmente jovens e crianças, que se encantam ao conhecer a fabulosa lenda do índio dourado e as cerimônias sagradas praticadas com os objetos expostos. Para se aprofundar ainda mais na fascinante história, a Pinacoteca oferece visitas guiadas gratuitas, que ocorrem com intervalos de 1h30 e grupos de até dez pessoas.

A mostra, que segue até o próximo domingo, está distribuída em seis salas que envolvem 11 temas distintos, entre eles, Gente Dourada (referente aos chefes indígenas que, cobertos de ouro em pó, lançavam oferendas em uma lagoa às divindades) e Animais Fantásticos (a variada fauna colombiana representada em ouro). Além disso, serão exibidos filmes que desvendam os diferentes processos de ourivesaria.

• Serviço

Exposição “Ouros de Eldorado: Arte Pré-Hispânica da Colômbia”. Pinacoteca de São Paulo (Praça da Luz, 02, São Paulo). Telefone: (11) 3324-1000. Até 22 de agosto de 2010. Visitação: aberta de quinta a domingo, das 10h às 18h. Ingressos: R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia-entrada; entrada gratuita aos sábados. Museo Del Oro Del Banco de La República. Parque de Santander, Centro Histórico de Bogotá, Colômbia. Visitação: quinta a sábado, das 9h às 18h, e domingos e feriados, das 10h às 16h; entrada gratuita aos domingos. Mais detalhes e tarifas no site: http://www.banrep.gov.co/museo/esp/home.htm.

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Centro antigo

Agora, sim, chegou a hora de invadir, no bom sentido, a velha Cartagena de Índias. A entrada principal se dá pela Torre del Reloj, um dos cartões-postais da cidade. Parece balela, mas é verdade: do lado de dentro das muralhas a atmosfera é outra. A preservação dos prédios coloniais e o zelo com a limpeza urbana são condizentes com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

Perca-se pela cidade a pé. E tenha paciência para se desvencilhar dos insistentes ambulantes. Aproveite, também, para fazer um tour de carruagem. Dessa forma, você percorrerá os pontos mais simbólicos: o Parque del Bolívar, as Igrejas de San Pedro Clavel e de São Domingo, além do hotel Santa Clara, onde funcionou o convento retratado no romance “Do Amor e Outros Demônios”, de Gabriel García Márquez.

Além de uma bela casa, o escritor mantém a Fundación para un Nuevo Periodismo Iberoamericano, dedicada a cursos e seminários de jornalismo.

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