Política

Vence licença para aterro receber lixo

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 7 min

A licença para operação do aterro sanitário de Bauru vence neste domingo. Com isso, a destinação do lixo domiciliar para o local vai passar a acontecer de forma irregular a partir da próxima segunda-feira. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) aposta na entrega de dois projetos à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) na segunda-feira.

Embora a pendência em relação ao aterro sanitário seja antiga e a falta de licença para operação da quarta camada persista por mais de dois anos, o diretor de Limpeza Pública da Emdurb, o contador Éwerton Mussi Hunzicker, não conseguiu encaminhar novo projeto de regularização desde abril do ano passado, quando assumiu o posto.

Homem de confiança do ex-presidente, Rubito Ribeiro, o contabilista é mais um que permanece no cargo. O novo gestor da empresa, Nico Mondelli Jr., concentra suas ações na reformulação dos contratos de serviços firmados com a prefeitura.

Acionado para falar sobre o fim do prazo para operação do aterro, anteontem, e do conteúdo dos novos projetos que estão sob a área de sua direção, Mussi demonstrou pouco domínio sobre a pendência e poucos indicativos de que esteja preparado para comandar a área.

Os problemas envolvendo o aterro só não estão piores porque Nico Mondelli Jr. interferiu pessoalmente na questão. Primeiro, no início deste ano, atuou para apagar o incêndio do “fantasma” da suposta contaminação por chumbo que foi “herdada” da gestão Rubito. Depois, conseguiu atender pedido da Cetesb e consolidou a montagem de equipe de engenheiros para estudar e planejar a operação do aterro. Resta agora a Mondelli Jr. ter do prefeito carta branca real para poder resolver impasses, como os espaços ocupados por pessoal de confiança do antecessor.

A entrevista com Éwerton Mussi esclarece a distância entre os problemas no aterro e sua dificuldade de gestão no setor que envolve o maior faturamento da empresa e o mais visado pelo mercado privado no segmento:

Jornal da Cidade - Os projetos que não foram entregues até agora na Cetesb para o aterro eram para que?

Éwerton Mussi - O teor dos projetos a fundo eu não tenho detalhes dele, mas são para acertar a questão da Cetesb.

JC - Para a quarta camada ou a ampliação do aterro sanitário?

Mussi - Isso é, a quarta camada e também da ampliação.

JC - São dois projetos, então?

Mussi - Exatamente. Vão ser protocolados na segunda-feira, na Cetesb.

JC - Há pouco mais de dois meses a ampliação de uma área do aterro surgiu como alternativa pela própria Cetesb porque a quarta camada seria inviável. Este projeto de ampliação vocês fizeram?

Mussi - Vai ser protocolado na segunda-feira, na Cetesb.

JC - Qual o tamanho da área a ser ampliada e o conteúdo do projeto?

Mussi - Eu não cheguei ainda a pegar, finalizar a questão de dados do projeto. Quem fez o projeto, trabalhou na execução, tem os dados, é o pessoal da gerência ambiental com integrantes da Unesp.

JC - Mas a gerência ambiental não responde ao diretor?

Mussi - É a Flávia Taís de Souza. Ela fez toda a parte de levantamento junto com pessoal da Unesp. O projeto, estão acertando alguns detalhes, não deu tempo de ver. Faltam alguns detalhes que estão trabalhando, fechando algumas coisas, para depois a gente dar uma analisada.

JC - A quarta camada está atrasada há mais de dois anos. O senhor está no cargo de diretor desde abril de 2009. O que está acontecendo?

Mussi - Na verdade, o estudo já foi feito. Teve outro estudo para quarta, quinta e sexta camadas. Mas não deu certo. Por isso é que a gente pegou, formou corpo técnico na Emdurb.

JC - Mas o senhor diz que vai protocolar outro projeto da quarta camada na segunda-feira e ela está irregular há mais de dois anos. E o senhor é diretor de limpeza pública desde abril de 2009.

Mussi - Concordo com você. Foi feito o projeto antes. São coisas diferentes. A licença do aterro vence no domingo. Não é um dia útil e a Cetesb não vai estar aberta.

JC - Vou repetir. A quarta camada está irregular há dois anos. É problema antigo e o senhor não conseguiu ver isso desde abril do ano passado?

Mussi - Teve projeto feito antes, em 2008, com a (Weber) Ambiental. Mas a Cetesb não aceitou. Eu vim para a diretoria, a Emdurb começou a formar o corpo técnico na empresa e se juntou com pessoal da Unesp. Como a Cetesb disse que este projeto não estava atendendo, bloqueou-se pagamento para a empresa. Pagou a primeira parcela e não pagou o restante porque o projeto não foi aceito (R$ 60 mil). Feito isso, nós decidimos reunir e conversar. O projeto da Weber é de 2008.

JC - Então, me forneça dados dos novos projetos da área em que o senhor é diretor?

Mussi - Infelizmente, eu não tenho essas informações. Na segunda vamos protocolar. Neste outro trabalho que a gente fez agora, nestes outros projetos, a gente procurou atender a todas as exigências da Cetesb.

JC - Que justificativa o senhor dá para o primeiro projeto, da quarta camada, estar mais de um ano sem solução na mão do senhor?

Mussi - Olha, este aqui, na verdade, é o primeiro projeto da Emdurb, formado por corpo técnico da Emdurb. Estava protocolado na Cetesb (da Weber). O pessoal que estava anterior à gente, o outro presidente, pagaram, fez o projeto da Weber, pagou a primeira parcela. Custou acho que R$ 60 mil mais ou menos. Bloqueou o resto. Mas a Cetesb não aceitou estes projetos.

JC - E por que o senhor não conseguiu fazer outro projeto desde abril de 2009?

Mussi - Vamos entregar na segunda-feira.

JC - Na segunda-feira o senhor vai depositar o lixo de Bauru onde, se não tem licença para operar no aterro?

Mussi - Na segunda-feira o lixo continuará sendo levado para o aterro. A quarta camada também não está licenciada há mais de três anos e então a gente não poderia levar o lixo lá desde 2008. Vamos continuar levando o lixo para o aterro e protocolar o projeto. Eu sabia que vence no domingo.

JC - Qual o custo do novo projeto para ampliação do aterro, em nova área, e quanto tempo leva para começar a operar se houver aprovação na Cetesb?

Mussi - O custo para a nova área tem estimativa de R$ 1,2 milhão desde os estudos iniciais até colocar em operação. Olha tudo que vai fazer no aterro exige obra de construção civil. Para todos os trabalhos, primeiramente demoraria pelo menos uns seis meses para instalação. Antes de seis meses não dá para operar. A área ampliada daria para mais 10 ou 15 anos se for aprovado.

JC - O destino do chorume está resolvido?

Mussi - Então, do chorume é assim. Não tem nenhum posicionamento ainda da Cetesb em relação às cartas de anuência para a empresa Monte Azul levar o lixo.

JC - Mas a Monte Azul foi contratada e tem prazo para ela apresentar autorização da Cetesb para o destino do chorume?

Mussi - Ela tinha que protocolar o pedido na Cetesb e a gente aguarda a Cetesb. No primeiro pedido foi feito toda a parte do processo e eu não lembro se são 21 dias úteis ou se era 30 dias para apresentar. Ainda não apresentou a carta de anuência para ver em qual ETE (Estação de Tratamento) a Monte Azul pode levar. Ela foi notificada é claro. A gente ainda não tem resposta.

JC - O senhor esqueceu que a Emdurb tentou contratar a destinação do chorume sem licitação alegando emergência. Qual era a urgência se está há meses do mesmo jeito?

Mussi - Olha só, foi tentado fazer e o chorume está lá na lagoa. O problema não é este. Tentou fazer emergência e não foi possível fazer por emergência.

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