Washington - Israel e os palestinos aceitaram ontem o convite dos EUA e de outras potências para retomar em 2 de setembro suas negociações diretas, num modesto passo rumo à meta de criar, dentro de 12 meses, um Estado palestino que conviva em paz com seu vizinho.
A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, vão se reunir no dia 1 com o presidente Barack Obama, antes de retomarem formalmente as negociações diretas no dia seguinte, na sede do Departamento de Estado, em Washington. “Houve dificuldades no passado, haverá dificuldades adiante”, disse Hillary em nota.
Ela acrescentou que o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e o rei Abdullah, da Jordânia, foram convidados para o encontro, que marcará a primeira negociação direta entre palestinos e israelenses em 20 meses.
“Peço às partes que perseverem, que continuem avançando mesmo em meio a tempos difíceis, e que continuem trabalhando para alcançar uma paz justa e duradoura na região”, disse a secretária.
O anúncio dela foi ecoado pelo chamado Quarteto de mediadores do Oriente Médio - EUA, Rússia, União Europeia e ONU -, que fez o seu próprio convite para as negociações e salientou que um acordo pode ser alcançado em um ano.
Netanyahu rapidamente aceitou a proposta, e disse que o acordo será difícil, mas não impossível. “Estamos chegando às negociações com o desejo genuíno de alcançar um acordo de paz entre os dois povos, que proteja os interesses nacionais de segurança de Israel”, disse nota do gabinete dele.
Após se reunir em Ramallah, na Cisjordânia, a liderança palestina também anunciou que aceitaria retomar as negociações diretas.
Mas Saeb Erekat, o principal negociador palestino, alertou que o seu lado abandonará as negociações se Israel retomar a ampliação de assentamentos judaicos nos territórios ocupados. Uma moratória israelense de dez meses na construção dos assentamentos expira em 26 de setembro.
Os líderes palestinos disseram que o convite para o diálogo “contém os elementos necessários para propiciar um acordo de paz”. “Isso pode ser feito em menos de um ano”, disse Erekat. “O mais importante agora é ver que o governo israelense evita atividades colonizadoras, incursões, políticas de fato consumado.”
Os dois lados chegam ao processo após décadas de hostilidade, desconfiança mútua e de sucessivos esforços fracassados pela paz.