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Idosos trocam dentadura por implante

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Por segurança e estética, os idosos estão aposentando a velha dentadura e dando preferência a implantes e próteses fixas. Com uma vida social cada vez mais intensa, eles não querem correr o risco de passar por um constrangimento em público, como ver os dentes saltarem da boca durante uma boa gargalhada, por exemplo.

A mudança tem sido gradativa e constante, segundo o dentista e professor de implantologia Carlos Eduardo Francischone. De acordo com a experiência vivida em seu consultório particular e nas clínicas de graduação e pós-graduação da Universidade do Sagrado Coração (USC), ele afirma que a preferência pelo implante tende a ser cada vez maior. E aponta os motivos.

Segundo ele, os custos estão caindo. Nos últimos dez anos, a redução no valor de uma prótese sobre implante foi de aproximadamente 50%. A entrada no mercado de empresas nacionais como fornecedora de material ajudou muito nessa diminuição.

Com uma demanda maior de pacientes, o tratamento, consequentemente, ficou mais barato. E o preço cairá ainda mais caso os governos federal e estadual incluam o implante dentro do atendimento social oferecido gratuitamente à população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o professor José Henrique Rubo, responsável pelo setor de triagem para tratamento odontológico da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP), o que determina a opção pela prótese são as condições financeira, anatômica e social do paciente.

Por ser uma alternativa mais dispendiosa, o implante é uma escolha mais fácil para quem pode pagar. Embora o serviço realizado pela FOB seja gratuito, os pacientes precisam pagar pelo material. Uma prótese fixa chega a custar R$ 1.000,00, enquanto uma dentadura sai por cerca de R$ 200,00.

A questão anatômica interfere porque, a princípio, qualquer pessoa pode fazer um implante, mas como ele tem de ser fixado no osso, a anatomia da mandíbula e da maxila, às vezes, não permite que isso seja feito. “Se a anatomia não favorece, é preciso que haja condições de colocar enchimento”, diz.

Segundo ele, os idosos que fazem implante são vaidosos, têm vida social intensa. São pessoas para as quais a questão estética pesa bastante. Rubo conta que a dentadura é quase imperceptível na boca, mas o que incomoda as pessoas é o fato da peça não estar presa.

Ele lembra o caso de uma senhora que realizou o sonho de pular de paraquedas e perdeu a dentadura durante o salto. O infortúnio foi captado por uma câmera e ganhou grande projeção na Internet.

“Ela realizou o desejo da vida dela, mas quando pousou não pôde tirar foto para mostrar sua alegria. Essas coisas acontecem com as dentaduras. Então, muitos preferem a segurança de poder se apresentar sem o receio de que os dentes vão se soltar da boca”, explica o professor.

A função do implante é substituir a raiz do dente que foi perdido. Faz-se um furo no osso da mandíbula e da maxila e coloca-se o pino onde é conectada a coroa do dente. Daí vem o nome prótese sobre implante.

Na maioria das vezes, ele é feito com anestesia local e a cicatrização demora cerca de três meses. Outra técnica, chamada de carga imediata, é utilizada quando o paciente não pode esperar. A cirurgia e o implante são feitos no mesmo dia. Por causa do estresse e da dor provocados por essa técnica, ela é utilizada apenas em casos específicos.

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Saúde dos dentes afeta organismo

Uma dentição mal cuidada pode levar à morte. O alerta é do dentista e professor de implantologia Carlos Eduardo Francischone. Segundo ele, o óbito é um caso extremo, mas acontece.

Ele explica que a cárie é uma doença, por isso o controle periódico é tão importante. Dentes cariados podem provocar infecções na boca e em outros órgãos. A endocardite bacteriana é uma inflamação que ocorre no coração.

Francischone diz que as bactérias provenientes de infecção bucal podem entrar na corrente sanguínea, se alojar no coração e levar a pessoa à morte. E se dentes estragados podem trazer sérios prejuízos à saúde, uma dentição perfeita e bem cuidada tem efeito totalmente contrário.

Segundo o dentista, a mastigação melhora, o que facilita a digestão dos alimentos, a auto-estima aumenta e a pessoa se sente mais segura no convívio social. Ele lembra que muitos têm vergonha de sorrir exatamente porque tem algum dente estragado ou em falta.

Segundo Francischone, o sorriso é a expressão máxima da felicidade de uma pessoa. Portanto, não deveria encontrar barreiras nem vergonha.

O professor José Henrique Rubo, da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), cita ainda o mau hálito, inflamação na gengiva e sangramentos como algumas das consequências possíveis da falta de cuidados com os dentes, sejam eles naturais ou não.

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Feliz da vida

A escriturária Regina Célia Vance Alvarez, 56 anos, passou por um problema sério de saúde. Ela conseguiu se restabelecer, mas o tratamento afetou seus dentes. Eles amoleceram e, aos poucos, foram caindo.

Quando se viu diante da necessidade de substituí-los, Regina não pensou duas vezes. Queria dentes fixos. Nada de dentaduras. Quase dois anos depois de optar pelo implante, ela se diz feliz da vida. Regina ficou satisfeita com o resultado final.

“Melhorou tudo. O visual, o ego e até minha dor de estômago”, conta ela. Por não conseguir mastigar bem os alimentos, ela sofreu com as dores de estômago. “Hoje, eu não considero a prótese fixa como um luxo, mas uma necessidade”, afirma.

A funcionária pública Leonor da Silva, 57 anos, tomou a mesma decisão. Mas antes de optar pela prótese fixa, ela usou dentaduras durante dez anos. “Decidi trocar por causa dos constrangimentos”, alega. Ela conta que sentia muita vergonha quando estava em viagem e precisava escovar os dentes nos restaurantes. “Era constrangedor ter de tirar a dentadura para escovar”, revela. Além de passar por isso, ela diz que se sentia insegura quando conversava e, principalmente, quando ria. “Nunca aconteceu comigo, mas eu morria de medo”, confessa.

Há oito meses, ela trocou as dentaduras pelas próteses fixas e hoje comemora a decisão. Ela diz se sentir mais à vontade quando está em público e adorou não ter de retirar os dentes da boca para escová-los.

• Serviço

Clínica odontológica da USC): telefones (14) 2107-7346 ou 2107-7269. Clínica odontológica da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP): telefone (14) 3235-8238.

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