Uma nova técnica a partir do DNA pode encurtar o caminho para definir o sexo da aves. Quatro penas ou uma gota de sangue bastam para definir se ela é um macho ou fêmea. Mas por que isso é importante? A identificação sexual possibilita reduzir o custo da produção, o desperdício de ração, o manejo de animais ameaçados, desenvolver projetos de conservação para a reprodução e comercialização de aves em criadouros conservacionistas ou comerciais.
A sexagem das aves é um projeto que está sendo desenvolvido na Incubadora Tecnológica de Botucatu e foi apresentado na Feira de Agricultura Familiar e Trabalho Rural (Agrifam) 2010. Ele é focado na distinção entre machos e fêmeas que não apresentam diferenças morfológicas visíveis.
O médico veterinário Adriano Stéfano Rubini explica que saber o sexo dos pássaros, por exemplo, é importante tanto para os criadores quanto para quem tem uma criação doméstica. “Porque existe um manejo diferenciado para o macho e fêmea. A questão da alimentação, que é diferenciada, cada um receberá a quantidade de alimentos que necessita.”
A definição permite agregar valor na hora da venda do pássaro, no caso dos criadouros comerciais. Em determinadas espécie,s o macho tem mais valor econômico porque é o que mais canta. Se a ave for fêmea poderá ser usada para reprodução.
“Conhecendo o sexo de cada ave, o avicultor tem condições de estimular o desenvolvimento e reprodução delas, garantindo a formação de casais que gerem filhotes que corretamente identificados possam ser vendidos precocemente”, explica.
Outras técnicas disponíveis necessitam de anestesias, são invasivas, estressam os animais e necessitam de um tempo de recuperação e cuidados pós -peratórios, frisa o veterinário. Segundo ele, na região há espécies valiosas, como o bicudo, curió, trinca-ferro e azulão.
O processo é muito simples. O dono da ave entra em contato com o laboratório, se cadastra e recebe, via correio, o kit que possibilitará a sexagem da ave, por meio da pena ou do exame de sangue. Ambas conferem 99,9% de acerto e oferecem resultado em 48 horas, garante Rubini. “É preciso retirar quatro penas da região do peito da ave e enviar via correio para o laboratório.”
Na pena há a raiz, que no meio científico é chamado de bulbo. “Extraímos o DNA dessa raiz e amplificamos para saber se a ave é macho ou fêmea. Outra alternativa é a coleta de sangue feita pelo próprio dono da ave, que retira uma gota da pontinha da unha e coloca em um cartão que faz parte do kit. Nós extraímos o DNA do cartão. O sangue é uma ótima fonte de DNA.”
O veterinário enfatiza que toda a logística do laboratório, que pode atender o Brasil todo, está no site www.vetdna.com.br. “A comunicação entre o criador e o laboratório é feita pelo site. O kit é gratuito e o envio é feito pelo Correio.”
Pelo menos metade das aves existentes no mundo não possui dimorfismo sexual e, quando existe, é geralmente sutil. “Em alguns casos pode ocorrer somente a partir da fase adulta, período de maturidade sexual. Há diferenças entre machos e fêmeas da mesma espécie, como tamanho ou coloração das penas e bicos. Mas há muitos enganos quando o processo não usa tecnologia.”