Pesquisei entre meus colegas de trabalho, da região de Bauru, igualmente professores, sobre que mudanças perceberam na escola nos últimos anos e quais consideram decorrentes da tal globalização. As respostas foram muito parecidas e, por incrível que pareça, a palavra “Globalização” tem sentido pejorativo e vem atrelada ao tão rejeitado sistema de progressão continuada, onde a reprova só é permitida ao final dos ciclos. Seria ele o motivo de todos os problemas?
Quando se pede que especifiquem, as respostas são: tornaram as coisas mais rápidas e insólitas na Educação; mudaram a concepção de sala de aula, onde professor ensina e aluno aprende; criou políticas onde “gastar” com o mesmo aluno duas ou mais vezes numa mesma série é desperdício, já que um dia ele vai passar de ano mesmo. Afirmações assim são na verdade má interpretação devido ao desconhecimento de um todo. “A escola é para todos, e todos estão na escola“. Nesta frase cabem muitas crianças e adolescentes que, matriculados na Rede Estadual de Ensino, estão submetidos às frases da moda. A ordem é instruir a diversidade e a inclusão. Abaixo a exclusividade! Todos aprendem, cedo ou tarde.
A onda do momento vem recheada de interpretações. Quando mais diversidade, melhor! E as salas de aula têm mais de 45 alunos. Se ele não aprendeu este ano é porque cada um tem o seu tempo! No ano seguinte o aluno praticamente analfabeto já esta no Ensino Médio. Vamos incluir alunos com necessidades especiais! Bom, nestas salas de 45 alunos, dá bem pra imaginar...
Infelizmente, ainda não estão muito bem discutidas algumas frases “célebres” que acabam dando margem a interpretações equivocadas. E agora, como a cada quatro anos, estão na TV e rádio, diariamente, por meio das propagandas obrigatórias.
Usar a progressão continuada como uma conseqüência negativa da Globalização e julgá-la como culpada da “descentralização da figura do professor” na verdade só justifica desconhecimento com relação à sua concepção e despreparo para lidar com a nova realidade, onde o professor agora é “mediador do conhecimento” e, muitas vezes, fantoche do sistema. Óbvio que a política neoliberal influencia todos os setores de um país, não seria diferente na Educação. O que falta é restabelecermos o diálogo sobre como efetivamente lidaremos com a nossa realidade, verdade e mito para benefício da aprendizagem de nossos alunos. Cuidado com o que eles andam dizendo!
A autora, Danielle Twerznik, é professora de Arte e Desenho Geométrico nas redes estadual e particular, cursa antropologia na USC e pedagogia pela Unesp-Bauru