Hoje completa 39 dias que não chove em Bauru e não há previsão de precipitação. Com a estiagem prolongada e a ação de massa de ar seco sobre o Estado de São Paulo, a umidade relativa do ar caiu a índices de alerta: ontem em Bauru foi de apenas 15% entre 15h e 17h, registrou a estação automática da Cetesb, localizada na Vila Falcão - o ideal para a saúde humana é umidade relativa do ar acima de 50%.
O higrômetro, aparelho que mede a umidade do ar do Instituto de Pesquisas Meteorológica (IPMet), registrou ainda menos: 14% às 16h05. Com o tempo nestas condições, a situação é classificada como de alerta. As orientações da Secretaria do Estado da Saúde e da Defesa Civil são evitar exercícios físicos ao ar livre entre 11h e 15h, umidificar o ambiente através de vaporizadores, toalhas molhadas ou recipientes com água, e sempre que possível permanecer em locais protegidos do sol, em áreas vegetadas, e consumir água à vontade.
Mas apesar da baixa umidade do ar, Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru, explica que ainda não é o caso de suspender, via decreto municipal, atividades que exigem exercício físico e exposição ao sol. “Ainda não porque a umidade do ar cai à tarde, mas volta a aumentar à noite. Mas se deve ter bom senso. As escolas e academias devem evitar exercícios pesados nos horários de menor umidade do ar. E, em qualquer atividade física, ingerir muita água”, frisa. A situação é pior para quem tem doença respiratória. “A demanda nos prontos-socorros, principalmente de crianças e idosos, já aumentou“, completa.
A meteorologista Rita Cerqueira, do IPMet, lembra que uma das característica do inverno na região é a estiagem. Por isso, diz, quase 40 dias sem chuva, nesta época do ano, está dentro da normalidade. Além de não haver chuva à vista, a temperatura está em alta. A máxima de ontem em Bauru foi de 31,5 graus e há probabilidade de chegar a 34 graus até o final de semana.
Assim como o ar segue seco, continua grande a incidência de fogos em terreno baldio e mato. Ontem, o Corpo de Bombeiros recebeu cerca de 40 chamadas para combater incêndio. O maior, numa mata próximo ao cartódromo Toca da Coruja, quase na divisa com área de reflorestamento, começou à tarde. Até as 22h, os bombeiros trabalhavam no local, de difícil acesso, e as chamas ainda não estavam controladas.
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Poeira de obra piora e situação de quem mora na Pousada e Gasparini
Como se não bastasse o clima seco em Bauru, por causa da ausência de chuvas, moradores da Pousada da Esperança e Núcleo Gasparini estão sendo obrigados a conviver com poeira além da normal em toda a cidade. Há cerca de 15 dias, diariamente, vários caminhões despejam terra e entulho na divisa dos dois bairros, numa obra para recuperar uma erosão existente nas imediações.
A obra está a cargo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). Através da assessoria de imprensa da prefeitura, a Semma informa que a movimentação de caminhões despejando terra e entulho é necessária porque a a erosão ameaça casas da Pousada da Esperança.
Os moradores reclamam que a poeira invade as casas, principalmente nas ruas dos Bancários e dos Pedreiros, no Núcleo Gasparini, e contribui para agravar doenças respiratórias. “Dias atrás já foi solicitado um caminhão pipa do Departamento de Água e Esgoto (DAE) para ajudar a amenizar a poeira, mas ele não veio. O DAE nos disse que não havia caminhão disponível”, afirmou a dona de casa Maria Aparecida Tollentino Felizardo, 58 anos.
“Meu neto precisou faltar hoje (ontem) na escola porque teve falta de ar graças a essa poeira acumulada”, contou. A mesma situação é vivida pela dona de casa Marli Rosana Rodrigues Pedroso, 47 anos. “Estou com problemas respiratório e gripe. Essa poeira agrava o tempo seco”, apontou.
Contactada pelo Jornal da Cidade, a prefeitura garantiu que a Semma enviará caminhão pipa o mais breve possível ao local e de forma periódica até o término da obra para tentar amenizar a poeira produzida pelo descarte do entulho. Porém, não foram divulgadas datas específicas para a realização desse serviço.