Rio - A Secretaria Estadual do Ambiente do Rio multou ontem a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) em R$ 1,8 milhão. A empresa poluiu o ar com partículas de óxidos metálicos nos arredores da usina em Santa Cruz, na zona oeste da capital fluminense.
A decisão de aplicar a multa foi tomada em Conselho Diretor do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O valor da punição chegou próximo ao máximo previsto pela legislação - de R$ 2 milhões.
O vazamento das partículas foi constatado no fim de semana retrasado, mas a empresa só foi notificada pela secretaria do Ambiente na última terça-feira. Na sexta, em nova vistoria, o órgão constatou que a poluição do ar na região diminuiu após a usina reduzir sua produção
De acordo com a secretaria do Ambiente, a multa ainda pode sofrer reajustes. A CSA tem 15 dias para recorrer a partir de sua notificação. A reportagem entrou em contato com a companhia, mas não obteve resposta até a tarde de ontem.
O Inea afirmou em nota que a CSA não comunicou problemas no alto-forno, o que retardou as providências para minimizar as emissões. A poluição só foi detectada pelas estações de monitoramento do ar instaladas na unidade.
“Esse valor pode ser reajustado na medida em que forem identificados atenuantes ou agravantes ao acidente. Não ter comunicado o problema com a máquina de lingotamento antes é um agravante”, disse a secretaria. Segundo a pasta, o alto-forno não pode ser desligado, sob risco de prejuízos ambientais ainda maiores.
As emissões de poluentes pela CSA resultaram de dois defeitos na linha de produção de ferro-gusa. O mais grave ocorreu na máquina de lingotamento de fabricação alemã, que não permite que a produção alcance a capacidade máxima - 7,5 mil toneladas -, obrigando a empresa a utilizar os poços de emergência. Ao resfriar o material incandescente nesses poços, as partículas poluíram o ar.
Técnicos da empresa fabricante estão na siderúrgica para identificar a origem do problema, que não tem prazo previsto para ser solucionado.
“É um problema de grande magnitude. O próprio fabricante está lá e não sabe dizer em quanto tempo ele vai conseguir fazer com que aquela máquina funcione na capacidade prevista. Também vamos entrar em contato com as secretarias estadual e municipal de Saúde para saber se a poluição afetou a saúde de moradores da região”, disse a secretária Marilene Ramos.