Às vezes, nos deparamos com situações que nos remetem ao nosso tempo de criança. Uma música, um doce, uma frase, no meu caso, minha filha de 3 anos que está às voltas com o mundo escolar. A gente acha que as coisas mudam, às vezes para melhor, às vezes para pior. Só da para avaliar quando se é pega de surpresa. Tenho ótimas recordações de minha fase na escolinha. Minha professora Sueli, da Emei Pinóquio, sempre nos apoiava. Não me lembro de tê-la visto zangada, mau humorada ou de cara feia. Adorava ela e sabia que sempre podia recorrer à mesma em horas difíceis, mesmo que as horas difíceis de que falo fossem coisas sem muita importância, ainda mais para a idade.
Depois, não me recordo muito do ensino fundamental, mas me recordo demais da época de ginásio, foi a melhor de minha vida. Me lembro muito bem de meus professores: Lucia, de ciências (jovem como a gente); Leila, de português (sempre calma); Maria Inês, de historia; Cirineu, de matemática (esse tirador de sarro, adorávamos suas aulas); e Maria Cecília, de estudos sociais. Por causa desta última, toda vez que ouço o Hino Nacional fico esperando para ver se alguém erra e canta "braços fortes". Ela sempre dizia é "braço forte". Aprendi direitinho. Mas também tive decepções com professores, como uma que me acusou de riscar a carteira em que eu nem sequer estava. Me humilhou diante da classe mesmo eu dizendo que era inocente e mesmo sabendo que eu era, talvez, até puxa-saco demais ou cdf, como se dizia na época, e jamais faria isso. Me marcou de uma tal maneira que daquele dia em diante a matéria que eu mais gostava que era inglês, passou a ser o meu tormento, não via a hora de acabar. Aonde quero chegar com isso? È que existem, sim, ótimos professores, e graças a Deus são a maioria. Mas existem também professores que, seja por culpa de alunos mal- criados, por conta do baixo salário ou problemas pessoais, fazem da vida escolar de seus alunos um drama que pode ter sérias consequências sim.
Minha filha adorava a escola. Passava por lá e ficava doida para entrar. E aí, este ano eu a matriculei. Ia superbem, parecia tudo ótimo, até que por causa da professora, que mesmo não sendo intencional, ou sendo, não sei, num gesto talvez sem força, pegou a mesma pelo braço e lhe deu uma dura. Conclusão da história? Ela não quer ir mais à escola. Chora, dá ânsia e tudo mais. E você me pergunta: vai fazer o que? Sinceramente? Não sei, porque não estava lá para ver o que ocorreu. Pode ser, como diria a própria professora, frescura, manha.
A questão é que nunca batemos em nossa filha, e já notei que se chamamos sua atenção com mais entusiasmo, ela chora sentido, porque deve doer mesmo, afinal, somos gigantes para ela, ela só tem 3 anos. Já vi várias mães reclamando dos berros dos professores com crianças de Emeis e escolinhas infantis. Ora, pois, se nós, pais, não gritamos com eles, por que eles podem? Já notaram que algumas crianças mudam de comportamento quando começam a ir para a escola? Lá tem bons e maus exemplos, devemos em casa mostrar o que é o certo e o errado. Sei também que os professores travam uma luta diária com alunos mal educados, que vêm de lares com péssimos exemplos. Cada família tem uma maneira de criar seu filhos.
Uns pais acham lindo crianças falando palavrões (depois morrem de vergonha quando os mesmos os fazem passar apuros), outros acham maneiro os filhos assistirem filmes violentos (também se fazem de bobos quando perguntados porque da criança ser tão violenta na escola), e por aí vai. Professores, para mim, sempre foram exemplos a serem seguidos, ainda mais em um mundo em que heróis passaram a ser jogadores analfabetos e ricos, ex-prostitutas que viraram modelo de como ganhar dinheiro, que a parte mais importante do corpo passou a ser os glúteos, e não o cérebro, infelizmente. Devo acreditar, mas não quero, que daí vai para pior, pelo andar da carruagem.
Deveríamos ter como exemplos professores, cientistas, médicos etc.... Infelizmente, nosso governo não acha isso, tanto que dá mais dinheiro para carnaval e futebol do que para médicos e professores.
Educação e saúde deveriam ser prioridades em nosso País, mas não é. Para encerrar, agradeço aos meus professores por fazerem de mim uma pessoa honesta, que pensa por si mesma, que sempre honrou pai e mãe e que adora ler e escrever. E peço aos professores atuais, mesmo com toda a dificuldade que existe, que façam o mesmo por seus alunos de hoje, mesmo que não sejam reconhecidos amanhã. Acho que não tem coisa mais emocionante na vida de um mestre que ver seus pupilos em um dia não muito distante descobrindo a cura de uma doença ou ensinando meninos a serem homens de bem. Como diria D.Pedro II, “Se eu não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro.”
Maria Aparecida Lima Pinheiro de Camargo