Se autoproclamando o único vereador bauruense a saber e a fazer o que é certo, colocando os demais 14 vereadores bauruenses que votaram contra o seu projeto como fracos, submissos a interesses e pressões, dizendo-se o único a não se curvar diante de nada, que apenas com um ano e meio de mandato, ou seja, que não tendo cumprido nem a metade do seu atual e primeiro mandato como vereador, já é candidato a deputado federal, o vereador Roque Ferreira se manifestou, em carta enviada por e-mail a vários endereços e ontem, na tribuna da Câmara Municipal, com críticas a tudo e a todos, inclusive este matutino, mostrando que democracia, instituições e pessoas só são boas quando lhe são subservientes e não lhe ousem contrariar.
Assina e comprova com o e-mail que postou e na tribuna legislativa todo seu egocentrismo, seu DNA autoritário e contradições entre seus pensamentos e atos, teoria e prática. Sindicalista de carreira, quase vitalício, com a facilidade de rotular as demais pessoas com clichês antigos e dono de um método anacrônico de fazer política, Roque fala das elites como se ele hoje, com seus salários de ferroviário e de vereador, com assessor parlamentar, gabinete, telefonista e impressos da Câmara, tudo pago com o dinheiro público (dinheiro de cada um dos cidadãos brasileiros, inclusive o seu, caro leitor), não fizesse ele mesmo parte de um universo privilegiado de apenas 10% a 20% de brasileiros que têm renda mensal e padrão de vida várias vezes maior do que a grande maioria dos demais cidadãos que ganham, quando muito, um salário mínimo, ou seja, a maioria dos nossos compatriotas ganha menos do que Roque Ferreira, o que não quer dizer que trabalhem menos ou que mereçam ter menos do que Roque, que diz que não é da elite. E o que ele é então, assalariado?
Confirmando seu oportunismo, quem sabe se motivado pela ambição estampada de chegar com pressa ao Congresso Nacional, onde parlamentares ganham milhares de reais por mês e custam outros tantos aos cofres públicos, Roque pegou uma bandeira trabalhista, que tem fórum próprio para ser discutido e, em ano de campanha eleitoral, tentando obter visibilidade e propaganda gratuita, a trouxe para os holofotes do Legislativo.
Seria um bom marketing se o vereador, que sem mesmo dizer se realizou estudos, reuniões, pesquisas com apoio de instituições que pudessem ajudá-lo a entender a conjuntura e a estrutura da atividade produtiva dos comerciários, comerciantes, suas importâncias para a economia da cidade e seu contexto diante das necessidades de abastecimento de produtos, prestação de serviços e consumo de lazer, entretenimento e cultura dos 100% dos bauruenses e querendo submeter unilateralmente empreendedores, comerciantes e pequenos empresários e até mesmo a Câmara Municipal as suas vontades, volatilidades e mesmo ao seu humor.
Roque não se conforma em ser contrariado, mas não é vítima, nem está triste pela derrota de seu projeto e pelos comerciários. Pelo contrário, continua focado em sua campanha eleitoral e faz de tudo para aparecer. Que não seja por isso, Roque, o Jornal da Cidade, que sempre lhe franqueou generosos espaços, hoje mais uma vez o evidencia. A propósito da coluna Entrelinhas de 16/8, com a qual o vereador não se conformou, o JC exerce seu direito sagrado à opinião e a deixa muito clara aos leitores, diferenciando-a dos textos jornalísticos. Jornal também pode ter sua opinião, embora a contragosto do estilo “não me contrariem” de Roque.
É inacreditável que depois de desemprego, crises e todas as mazelas que a cidade sofreu que Roque queira pará-la de novo, em prejuízo de todos, fazendo Bauru perder ainda mais espaço para outros centros de atração. Isso é um retrocesso que a cidade não merece e não vai aceitar. Nosso espaço não está a serviço deste ou daquele interesse e o nosso conteúdo expressa aquilo que acreditamos, e por isso nos manifestamos de forma clara, nos posicionamos e nos colocamos objetivamente contrários ao seu projeto, que a cidade não queria, que os vereadores, em sua totalidade, excetuando-se o autor, tiveram a sabedoria de rejeitar e que com certeza a opinião pública saberá avaliar.
Nossa história a favor de Bauru está escrita em nossas páginas e através das nossas atitudes, na teoria e na prática, pois abrimos mão de verbas publicitárias públicas, do município, Estado e União e mesmo de anunciantes para praticarmos jornalismo independente, corajoso e investigativo, com matérias que levaram a cassações e até mesmo prisões de políticos que fizeram mau uso da coisa pública, provocando várias vezes cancelamentos de contratos públicos duvidosos. O JC atua na defesa dos cidadãos, especialmente os mais simples, nas lutas por investimentos e empreendimentos públicos e privados que gerem oportunidades de trabalho e emprego para os menos favorecidos, como por exemplo para os jovens de periferias e comunidades carentes.
E também para que indústrias e empresas que estejam indo embora da cidade ou se instalando e levando progresso a outras regiões mais privilegiadas transfiram para cá suas bases de negócios. E ainda por campanhas com parceiros de mercado, poder público e trabalho voluntário que permitem contribuição para entidades da cidade e tantas outras iniciativas que demonstram na prática nosso amor por Bauru, respeito ao leitor e eleitor, mas acima de tudo apreço total pela inclusão social e exercício pleno da cidadania para cada bauruense. Finalizando, vereador Roque, enquanto o senhor busca os holofotes para fazer marketing político em benefício próprio, mesmo que isso cause grandes prejuízos para a cidade como um todo, nós fazemos jornalismo com coragem e posicionamento para defender Bauru, que não pode ficar para trás no seu desenvolvimento e progresso.
Jornal da Cidade de Bauru