Discute-se bastante, atualmente, a eleição para deputado federal e a ausência de representação de Bauru na Câmara Federal. Muito se critica a apresentação do grande número de concorrentes na chamada eleição proporcional diferente, em essência, da eleição majoritária para o Executivo. Muitos desconhecem as regras para tais eleições, especialmente das proporcionais. É equivocada a idéia de reduzir ou “enxugar” o número de candidatos à deputado. É o número de votos somado pela chapa de candidatos que garante aos partidos a conquista das cadeiras e a representação nos Parlamentos. É assim que funciona nas democracias do mundo inteiro.
Reduzir o número de candidatos ignorando a regra eleitoral é retroceder aos tempos do voto censitário, de cabresto e oligárquico, quando só os “de cima” tinham os seus representantes eleitos. No período colonial de nossa história, eram candidatos os proprietários de alqueires de terra e de escravos, os chamados “homens de qualidade”. Aristocracia.
Diante de crise política em que vivemos é salutar para a Democracia que haja candidatos, especialmente aqueles que fazem do exercício político e forma mais nobre de serviço público e de dedicação à causa pública.
O foco da discussão não é o número de candidatos, e sim quem é ele, qual é o seu projeto político, seu projeto de sociedade, sua concepção de vida e de mundo.
Cabe à mídia, à sociedade organizada, aos partidos políticos, sindicatos, igrejas, universidades, diretórios acadêmicos, associações de moradores, clubes de serviço abrir as portas aos candidatos, sem excluir nenhum deles, acolher a todos para um amplo e esclarecedor debate.
Contribuir para esclarecer o eleitor é dever cívico e responsabilidade histórica para a construção da sociedade participativa e democrática que todos queremos. O eleitor vai reconhecer e gostar e os candidatos também. Ao debate...
O autor, professor Isaias Daibem, é colaborador de Opinião