Economia & Negócios

Cai índice de mortalidade de empresas

Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 4 min

As empresas de São Paulo estão sobrevivendo mais facilmente a seus primeiros anos de vida, e grande parte dessa implementação se deve ao “pré-natal” realizado pelos empreendedores. Segundo pesquisa divulgada ontem pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), a mortalidade dos empreendimentos até o quinto ano de atividade no mercado diminuiu de 71% em 1998 - primeiro ano do estudo - para 58% neste ano.

Em sua análise, o gerente regional da entidade em Bauru, Milton Debiasi, compara os números estaduais com o mercado bauruense e afirmou que os resultados expostos pelo Sebrae-SP representam a realidade da cidade “Sem Limites”. Os números indicam o melhor preparo dos empresários antes de iniciar uma atividade financeira e maior entusiasmo para implementar as estruturas existentes de acordo com as mudanças da sociedade.

Os números levantados pelo Sebrae apontam que a taxa de mortalidade das empresas paulistas no primeiro ano de existência caiu de 35% para 27%, embora a comparação com o levantamento anterior, realizado em 2005, permaneça estável.

Além disso, o estudo iniciado em 1998 indicava que 56% das empresas não sobreviviam ao terceiro ano, índice que baixou para 46% em 2010.

Já na análise das empresas antes dos cinco primeiros anos de atividade, a taxa de mortalidade indicava que 71% delas fechavam em 1998, índice que caiu para 58% em 2010.

Debiasi analisa que a implementação no tempo de vida das empresas se estabeleceu em decorrência do preparo mais especializado dos empreendedores, que possuem melhor formação e mais interesse em inovar e explorar o mercado.

“Os novos empresários são muito abertos a cursos e estão antenados com as mudanças e pesquisas. Portanto, o grau de mortalidade diminuiu com a entrada desses novos empreendedores no mercado, que passaram a ser jovens com formação. Diversos cursos têm inserido o empreendedorismo dentro de suas grades”, frisa o gerente regional do Sebrae em Bauru.

Para sustentar sua opinião, Debiasi conta com outros números publicados pelo Sebrae-SP, que tratam da melhora no perfil do gestor. De acordo com o levantamento, 83% dos empreendedores que abriram empresa em 2007 possuem ensino médio completo ou mais, ante os 70% registrados em 2000.

Além disso, a pesquisa também identificou que a média de idade dos empreendedores ao iniciarem um negócio era de 37 anos. O maior percentual (49%) estava entre os 25 e 39 anos, seguidos pela faixa entre 40 e 49 anos (24%) e os dois grupos da ponta da tabela: até 24 anos e 50 anos ou mais (13%).

Empreendedorismo

Um exemplo desse empreendedorismo jovem que funcionou em Bauru é o de Taciana Caramaschi. Aos 29 anos, em 2008 ela inaugurou uma loja de moda feminina e mantém total controle da empresa, que tem alcançado bons resultados nesses dois anos de atuação.

Taciana diz que já tinha conhecimento sobre as possibilidades do mercado porque trabalhava com a venda de confecções antes de inaugurar a loja, mas de uma maneira “mais discreta”. “Eu vendia roupas na casa da minha mãe e sabia que conseguiria conquistar mais clientes com uma loja”, revela.

Mas a mudança da casa da mãe para a loja não foi uma decisão simples. A empresária diz que analisou bastante a situação antes de assumir a responsabilidade.

“Eu sabia que a mudança implicaria em um crescimento considerável no custo, mas também significava maior exposição e mais chance de conquistar novas clientes”.

Taciana também definiu sua formação e know how na área como pontos decisivos para a inauguração da loja.

“Como sou técnica em negócios de moda e já havia trabalhado diretamente com revendedores de confecções, decidi arriscar. Por conta de minhas experiências, não tive problemas para lidar com os fornecedores ou controlar o estoque da loja”, assegurou.

Entretanto, a empresária revelou que a parte administrativa não é seu forte, mas garante que não corre riscos nessa área. “Para isso não fugir do meu controle, contratei um contador que fica responsável pela parte financeira”, afirma Taciana.

____________________

Assistência

Dentro dos novos parâmetros do mercado, que exige cada vez mais empreendedorismo e capacitação dos empresários, o gerente regional do Sebrae de Bauru, Milton Debiasi, destaca os cursos oferecidos como alternativa para aprimorar o conhecimento dos profissionais.

Segundo ele, a entidade conta com um pacote de ações que vão desde orientação empresarial, individual ou coletiva, a cursos e palestras. “Constantemente, realizamos oficinas, workshops, seminários e demais atividades que tratam dois pontos específicos: melhorar o empreendedorismo na pessoa e melhorar a gestão do negócio.” Ele ressalta ainda os cursos oferecidos pela entidade, que também podem ser aproveitados pelo Ensino a Distância (EAD).

“Além dos cursos que oferecemos na sede do Sebrae, dentro dos nossos canais de comunicação temos usado o EAD. Estamos com nove cursos que as pessoas podem entrar no site e assistir às aulas com duração de três horas. São cursos objetivos e muito bem estruturados.”

Comentários

Comentários