Economia & Negócios

Grevistas do Judiciário fazem outro ato

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Quem passou pelo Fórum de Bauru na tarde de ontem se deparou com distribuição gratuita de cachorro-quente à população. Porém, a ação não fazia parte de uma comemoração. Pelo contrário. Foi mais um ato simbólico dos funcionários do Judiciário estadual de Bauru que retomaram a greve do setor na última sexta-feira.

De acordo com a representante dos servidores, Luciana Dias Duarte Falcão, o objetivo é mostrar como será o futuro da categoria nos próximos anos, caso as reivindicações não sejam deferidas. “Se continuar do modo como está, os funcionários vão ter sérias dificuldades. Parece exagero, mas pensamos que pode até mesmo faltar mantimentos em casa. Por isso, fizemos a entrega simbólica do lanche, justamente, para que não passemos fome”, explica.

A categoria reivindica 20,16% de reajuste referente a perdas salariais dos últimos dois anos. Em algumas localidades do Estado, a greve já dura cerca de quatro meses. Em Bauru, foi iniciada no dia 7 de maio e interrompida no dia 22 do mesmo mês, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), responsável por julgar o dissídio da categoria, paralisou as operações por 15 dias.

Anteontem, no mesmo local, cerca de 120 pessoas entre servidores, em greve, familiares e apoiadores da causa queimaram folhas do holerite. Estima-se que o corpo Judiciário de Bauru seja formado por 400 funcionários. Já no ato simbólico de ontem, na entrega do cachorro-quente, havia aproximadamente 30 pessoas. Apesar do número na manifestação ser visivelmente menor, Luciana Falcão afirma que, em apenas um dia, a adesão à greve aumentou 5%. “Hoje, tivemos um cartório que deixou somente o mínimo de dois funcionários trabalhando. A adesão já está em torno de 25%. Esperamos que, em breve, este número cresça”.

Ela ainda conta que não há prazo para que a greve seja encerrada e que, pelo menos, até terça-feira da próxima semana, continuará. Na ocasião, uma assembleia julgará o dissídio da categoria.

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100 servidores em greve

Neste ano, 33.503 processos já foram protocolados no Judiciário de Bauru, o que dá uma média diária de 220 processos. Se a adesão à greve é de cerca de 25% dos 400 funcionários do Fórum, aproximadamente 100 funcionários estão de braços cruzados, o que atrasa mais o andamento dos processos.

Quando questionada sobre os possíveis efeitos negativos para a população, a representante dos servidores, Luciana Falcão, afirmou que haverá mais prejuízos se continuar do jeito que está, sem o atendimento das reivindicações. “A falta de investimento e a falta de contratação do setor é grande. A população convive com o atraso do Judiciário justamente por essas razões. Se as nossas reclamações forem atendidas, a população sentirá melhoras no futuro”, afirma.

O presidente da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Caio Augusto Silva dos Santos, já se posicionou favorável aos direitos reivindicados, porém, contrário à greve. Ele lembra que, em greves anteriores com duração de 90 dias, demorou de 3 a 5 anos para que os processos atrasados fossem colocados em dia.

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