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O futuro já começou

Sidney Francez Fernandes
| Tempo de leitura: 4 min

Estive no Cemitério Père Lachaise, em Paris, onde se encontram os restos mortais de Allan Kardec e de sua esposa Amélie Gabrielle Boudet. Enterrado em 31 de março de 1869 no Cemitério de Montmartre, um ano depois amigos e simpatizantes transladaram os seus despojos mortais para um dólmen no Cemitério de Père-Lachaise, construído em sua homenagem. Nesse cemitério estão enterrados Honoré de Balzac, Chopin, Delacroix, Bizet, Maria Callas, Edith Piaf, Samuel Hahnemann, La Fontaine, Molière, Modigliani, Rossini, Baron Taylor, além de inúmeros presidentes, generais e os contemporâneos Gilbert Becaud, Yves Montand e Simone Signoret. Isso para falar só dos mais conhecidos.

Hoje este cemitério não se encontra no seu apogeu. Ao lado de maravilhosas e faraônicas tumbas, muitas obras estão desmoronando, descuidadas pelas famílias. Muitas lápides, capelas e monumentos em total destruição, sem a manutenção devida. Mesmo assim, não deixa de mostrar o cuidado e o respeito que mereceram as grandes figuras da história da França, particularmente Paris, por ocasião de suas mortes. O túmulo de Allan Kardec e Amélie Boudet é um dos mais bem cuidados. Embora, em minha opinião, merecesse maior atenção por parte dos espíritas do mundo inteiro.

A que se deve o generalizado descaso para com o fausto de outrora, ora decadente? Talvez a constatação, com a passagem inexorável do tempo, de que o poder, a riqueza e a fama acabam no túmulo. A morte não leva bagagens, nem cartões de crédito. Outro motivo, talvez, seria a apatia, a quase indiferença das pessoas para com a vida além-túmulo. A desenfreada procura por recursos materiais cria a falsa idéia de que talvez a morte só venha a acontecer com os outros. Nunca com a gente! O homem deste planeta Terra comporta-se como se o seu corpo fosse imortal. Uma grande parte das pessoas não cogita dos valores morais preconizados pelas filosofias e religiões.

Diante de um quadro aparentemente desolador, em que o mal parece predominar, é o caso de se lembrar da resposta 1019 do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec: “A transformação da humanidade foi predita, e chegais a esse momento, que todos os homens que ajudam o progresso estão apressando. Ela se realizará pela encarnação de espíritos melhores, que constituirão sobre a Terra uma nova geração.” Entendo que espíritos preparados pela Espiritualidade já estão se preparando para essa “grande obra da regeneração”. Estão reencarnando em condições e pontos estratégicos do nosso planeta, para impulsioná-lo definitivamente à consolidação de seus valores morais e éticos. Muitas iniciativas serão tomadas por estes “Espíritos de Escol”, assim que estiverem reencarnados. Emmanuel parou de se manifestar através de Chico Xavier algum tempo antes do desencarne do médium, porque segundo orientações dos Espíritos, O Mentor de Chico se preparava para “arregaçar as mangas” e partir para novo “mergulho na carne”, participando desse projeto.

Objetariam ainda alguns, dizendo que a maldade grassa solta por toda a humanidade. No entanto, se bem observarmos, a maioria quer o bem, quer viver em paz. A maldade está concentrada numa “minoria barulhenta”, como costuma afirmar o Orador e Escritor Espírita Richard Simonetti.

No entanto, se continuarmos de braços cruzados, a “maioria silenciosa” continuará seu passo de tartaruga evolutivo. Caberá a nós, embora ainda infinitamente distantes do Cristo, libertarmo-nos de velhos paradigmas e partirmos decididos para a boa recepção que merecem esses missionários preconizados por Allan Kardec e nos engajarmos nessa verdadeira cruzada revolucionária. Resgatando o bem e a verdade, criando um novo ambiente de amor, fatalmente os indiferentes terão que assumir novas posições. A grande missão projetada pelos Espíritos Superiores é tornar a Terra um local tão bom para se viver, a ponto de se tornar incompatível para maus e omissos.

Assim como o fausto, a riqueza mal empregada, a prepotência e a agressividade, com o passar do tempo, escancaram o distanciamento das coisas de Deus, esse mesmo tempo começa a funcionar como um divino despertador de consciências. Pensei que não vivesse, na presente encarnação, o suficiente para presenciar a revisão de valores do homem de agora. Enganei-me! A grande revolução já está acontecendo. E se alimentamos a presunção de seguidores do Cristo, ainda que à distância, façamos nós a nossa parte, seja qual for a nossa filosofia ou credo religioso.

“Disse, pois, Jesus: Vai e faze tu o mesmo.” - Lucas 10:37. O Futuro da Terra já começou!

O autor, Sidney Francez Fernandes, é colaborador de Opinião

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