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Fogo destrói depósito de recicláveis

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Um incêndio de grandes proporções destruiu completamente um depósito de materiais plásticos recicláveis no início da tarde de ontem, no Distrito Industrial 1, em Bauru. As chamas, cuja origem ainda deverá ser investigada, atingiram cerca de cinco metros de altura e uma extensão de mais de quatro mil metros quadrados, que compreende toda a área da empresa ING Plastic Bauru, onde também funcionava uma pequena fábrica de mourões para cercas e dormentes ferroviários feitos com plástico injetado. A fumaça negra produzida, que atingiu mais de 300 metros de altura, chegou a encobrir a luz do sol em alguns momentos e pôde ser avistada em vários pontos da cidade.

Até as 15h30, quase 100 mil litros de água haviam sido utilizados para combater o fogo e, embora as chamas já tivessem sido controladas, a eliminação de todos os focos de incêndio ainda levaria pelo menos mais duas horas, conforme avaliação do Corpo de Bombeiros. Apesar da dimensão do prejuízo, três funcionários que trabalhavam no local conseguiram escapar a tempo e ninguém ficou ferido.

Segundo informações de testemunhas, o incêndio teve início por volta das 13h15. Como o depósito armazenava cerca de 80 toneladas de material plástico, em poucos minutos todo o terreno, que fica na quadra 4 da rua Waldemar Pereira da Silveira, foi tomado pelas chamas. Para debelá-las, o Corpo de Bombeiros acionou três caminhões-pipa e sete caminhões de água cedidos por indústrias do distrito, além de 20 homens da corporação e 40 civis da Rede Integrada de Emergências (Rinem). Também contou com o apoio do Helicóptero Águia da Polícia Militar (PM), que buscou água na lagoa da Quinta da Bela Olinda em uma cesta com capacidade para mil litros para combater o incêndio em uma zona de difícil acesso, próximo a uma mata fechada.

A preocupação inicial, de acordo com o tenente-coronel José Guerxis de Aguiar, comandante do 12º Grupamento de Bombeiros, foi isolar as áreas não atingidas pelas chamas, como uma borracharia vizinha e o galpão onde funcionava o setor administrativo da fábrica de mourões e dormentes, que abrigava três botijões de gás que poderiam explodir.

Como três postes de energia elétrica, bem como a fiação, também foram atingidos, a CPFL providenciou o desligamento da rede. Já durante a operação de rescaldo, técnicos da empresa chegaram ao local para avaliar a extensão dos danos. “Provavelmente os postes terão de ser trocados porque foram totalmente consumidos. E mesmo a fiação que não foi atingida, por ter sido submetida a altas temperaturas, pode perder a serventia. Mas essa decisão ainda demandará análise mais detalhada da CPFL”, avalia o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.

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Rede de emergência facilitou combate

Aproximadamente 40 civis treinados da Rede Integrada de Emergências (Rinem) trabalharam incansavelmente por cerca de três horas para auxiliar o Corpo de Bombeiros no combate às chamas que destruíram o depósito de materiais plásticos, ontem. Segundo o tenente-coronel José Guerxis de Aguiar, comandante do 12º Grupamento de Bombeiros, o incêndio foi a prova final de que a equipe estava bem preparada para atuar em ocorrências que demandam uma grande mobilização articulada de socorro.

“Todos eles são funcionários de empresas do Distrito Industrial, que estão sendo treinados mensalmente há cerca de dois anos para uma atividade real como esta. Hoje (ontem), eles tiveram a convicção da importância dessa rede integrada”, salienta.

Conforme explica Guerxis, a rede é composta por funcionários de empresas associadas que, em caso de emergência, recebem o socorro desses civis treinados. “A vantagem é que a maioria deles já trabalha no distrito, então eles chegaram muito rapidamente no local do incêndio”, frisa. Além de simulações de incêndio, a Rinem participa também de treinamentos em altura, primeiros socorros, direção defensiva, entre outras operações de emergência.

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Sem seguro

O incêndio que destruiu o depósito de materiais plásticos no Distrito Industrial arruinou também todas as criações do proprietário, Sebastião Pereira da Silva, 82 anos, que não tinha seguro do seu empreendimento. Há 28 anos trabalhando com recicláveis, ele conta que não dependia da empresa para sobreviver, mas que nela estavam todos os seus projetos de inventor.

“Tenho outros rendimentos. É o meu trabalho que foi queimado. Estava produzindo mourões de cerca para vender, que já estavam encomendados”, lamenta. Silva não soube precisar a dimensão de seu prejuízo, mas afirmou que, junto com 80 toneladas de material plástico que haviam sido recolhidas das ruas, também foram incendiadas 25 máquinas industriais e todos os documentos da empresa.

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Região ficou exposta a fumaça tóxica

Segundo Álvaro de Brito, coodenador da Defesa Civil, os homens que trabalharam na operação, assim como a imprensa presente e os funcionários das empresas das imediações, foram expostos a uma fumaça altamente tóxica. Para tentar minimizar os efeitos prejudiciais do calor intenso e da poluição no local, a equipe da Rinem distribuiu máscaras e garrafas d’água a quem estava próximo do incêndio.

Em meio ao tumulto de caminhões e pessoas circulando pelo local, o proprietário do depósito, Sebastião Pereira da Silva, 82 anos, tentava entender como um incêndio tão grande teria começado. Segundo ele, a principal suspeita é de que tenha surgido depois de um grupo ainda não identificado acender uma fogueira nos fundos da empresa.

“Eu estava em casa, almoçando, quando me avisaram do incêndio. Pelo que me disseram, um infeliz colocou fogo no mato, no fundo da empresa, e incendiou tudo. Não sei se foi de propósito ou não. Uma coisa dessas acontecer nessa altura da minha vida me deixa sem saber o que dizer”, contou, ainda desconsolado.

A versão de Silva é a mesma de Antônio Alves, 56 anos, proprietário da borracharia vizinha que, por pouco, também não foi atingida. “O pessoal tinha roçado o fundo da empresa e atearam fogo no monte de mato. Por sorte, o incêndio não chegou até a borracharia. Por precaução, a gente subiu em cima do telhado e ficou jogando água com a mangueira para não deixar o fogo chegar”, relata.

Na avaliação do coordenador da Defesa Civil, há fortes indícios de que a empresa não tenha seguido as normas recomendadas pelos órgãos de segurança. Ainda que as especulações sejam muitas, ele adianta que somente uma perícia detalhada da Polícia Científica, que deve ser iniciada ainda hoje, será capaz de apurar as reais causas do incêndio.

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