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Resistência ao ar seco varia, mas abaixo de 10% é arriscado

Por Ieda Rodrigues | Com Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Com a umidade relativa do ar baixando dia a dia – há dois dias em Bauru o ar chega a apenas13% de umidade, ou seja, apenas 13% de vapor de água no ar -, surge a pergunta: até que índice de ar seco o ser humano aguenta sem ficar doente?

O médico pneumologista Sebastião Beneti explica que não há um limite, pois o índice suportável varia de pessoa para pessoa. “Em geral, em índices inferiores a 10%, poucos organismos conseguem suportar bem. Abaixo disso, o índice de pessoas com doenças respiratórias aumenta muito. Há pessoas que aguentam até umidade do ar de 2%, mas não é o normal”, explica.

A resistência, frisa o médico, varia de pessoa para pessoa e de quanto está adaptada a ambientes secos. “O Atacama (no Chile), o deserto mais seco do mundo, tem umidade do ar de cerca de 5%. E quem mora lá, já tem organismo desenvolvido para suportar. Já o visitante, vai sentir o ar seco o tempo todo”, frisa.

Benetti ressalta que o ar seco não provoca doença, mas faz com quem o sistema de defesa das vias respiratórias não funcione. “A via respiratória produz uma secreção que funciona como um tapete, absorvendo todas as impurezas do ar. E o pulmão tem um mecanismo que coloca para fora, através do espirro, da tosse, toda esta secreção. Então, a sujeira, a impureza, não fica no organismo. E quando o ar está seco, nós perdemos esta proteção”, detalha.

Com as impurezas presentes no ar entrando livremente pelas vias respiratórias, a pessoa fica mais suscetível a desenvolver doenças. É por isso, alerta o médico, a incidência de doenças respiratórias aumenta à medida que o ar fica mais seco.

Para amenizar a situação, o mais recomendável, afirma Beneti, é o uso de umidificador do ar, aparelho amplamente comercializado em farmácias e lojas de eletrodomésticos com preços variáveis entre R$ 60,00 e R$ 280,00, dependendo do modelo e da capacidade de água. Porém, ressalta, para que surta efeito o aparelho tem de estar posicionado próximo do rosto, das vias respiratórias, da pessoa.

Para quem não tem umidificador, a solução caseira é colocar uma toalha molhada na janela veneziana, orienta o pneumologista. Porém, ele ressalta que o tecido tem de estar bem molhado e posicionado no sistema de ventilação, de tal forma que o ar que entre seja filtrado e umidificado, ao mesmo tempo. “Para vaporizar o ar, não adianta a toalha molhada com a janela fechada, assim como bacia com água”, completa.

Outra orientação de Beneti é tomar bastante água, o que ajuda o organismo na defesa das vias respiratórias. “E lavar bastante o nariz com soro, inclusive pode ser o caseiro: em um copo d´água, coloca-se uma pitada de sal e está pronto”, finaliza.

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Carro em casa

Apesar do desconforto que a qualidade e a umidade do ar vêm causando à população, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) esclarecem que existem medidas previstas para serem adotadas com base nos níveis observados de material particulado e ozônio, estabelecidas no Decreto Estadual nº 28.313, de 04/04/88.

O ar de Bauru ontem, do ponto de vista de concentração de ozônio, foi classificado como regular entre 11h e 18h. Conforme a quantidade de partículas de ozônio, a qualidade do ar é classificada em boa, regular, inadequada, má e péssima.

A situação atual, comum nesta época do ano, está, portanto, sob controle e não há a necessidade de se tomar medidas mais drásticas que objetivariam evitar iminentes riscos à saúde da população.

No entanto, como medida de caráter preventivo e, com base no mesmo decreto, solicitam à população a restrição voluntária do uso de veículos automotores particulares até que a qualidade do ar volte aos níveis aceitáveis.

Recomendam, ainda, que as pessoas não pratiquem atividades ao ar livre entre 12h e 18h; evitem aglomerações em recintos fechados; mantenham umidificados os ambientes internos em suas residências e no trabalho; não queimem lixo; aceitem e ofereçam carona.

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De novo umidade do ar chega a 13% em Bauru; não há mais chuva à vista

Ontem, pelo segundo dia consecutivo, a umidade relativa do ar em Bauru chegou a 13%, às 14h05, de acordo com medição do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet). Se a umidade do ar estiver abaixo de 12%, é declarado estado de emergência. Nesta situação, além de se observar todas as recomendações para os estados de atenção e de alerta, a orientação é interromper qualquer atividade ao ar livre entre 10h e 16h, como aulas de educação física, coleta de lixo, entrega de correspondência, entre outras.

Também se deve suspender atividades que exijam aglomerações de pessoas em recintos fechados como aulas e cinema, entre 10h e 16h. E durante as tardes, manter com umidade os ambientes internos, principalmente quartos de crianças, hospitais etc.

Hoje completa uma semana que Bauru está entre situação de atenção (umidade relativa do ar entre 20% e 30%) e de alerta (entre 20% e 12%). E para piorar, a previsão do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), que no início da semana era de chuva em Bauru entre domingo e terça-feira, agora é de apenas céu nublado.

Não há mais chuva à vista. Uma massa de ar quente e seco continua predominando sobre o Estado de São Paulo, o que impede a formação de chuva e derruba a umidade relativa do ar - para a saúde humana, o ideal são índices acima de 50%. A boa notícia é que a temperatura máxima, que ontem foi de 32,8 graus em Bauru, deve recuar um pouco nos próximos dias.

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