Polícia

Durante briga, mulher mata marido

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Uma discussão de casal terminou em tragédia em uma residência localizada no Parque Santa Edwirges, em Bauru, na madrugada de ontem. A vendedora Ilvaneide de Oliveira Queiroz, 31 anos, admitiu que matou seu marido, o ajudante Adilson Aparecido Araújo, de 38 anos, com uma facada. Ela alegou que agiu em legítima defesa e responderá inquérito em liberdade (leia mais abaixo).

O fato ocorreu por volta da 1h, na quadra 10 da Alameda Cartago, quando o casal travava acalorada discussão. De acordo com o registrado em boletim de ocorrência, Ilvaneide declarou que a briga começou quando Adilson queria manter relações sexuais e ela se recusou por estar amamentando a filha, de apenas 1 ano.

Além da criança, o casal tem mais dois filhos homens, um de 8 e outro de 11 anos. Eles também estavam na casa durante o crime, porém, dormindo. Ilvaneide disse à polícia que as crianças não acordaram porque estavam habituadas com as brigas.

O histórico deles realmente confirma a informação. Em 12 anos de convivência, a mulher já havia registrado três boletins de ocorrência por ameaças, injúrias e agressões por parte de Adilson. Em um dos registros, Ilvaneide alegou que o companheiro tentou envenená-la misturando um produto utilizado para matar carrapatos em sua bebida.

O fato não pôde ser confirmado pois, segundo ela, logo que percebeu a atitude, jogou o líquido fora. Ilvaneide declarou que aguentava todas as desavenças e a relação turbulenta com Adilson porque sempre foi muito pobre e temia não conseguir criar os filhos sozinha, caso se separasse do marido.

Mas na madrugada de ontem, após recusar manter relação sexual com ele, Ilvaneide disse que Adilson a agrediu, segurando-a pelo pescoço e arrastando-a pela casa. Ao chegar na cozinha, ela pegou uma faca e desferiu um golpe contra ele, atingindo-o na axila. Percebendo o que havia feito, Ilvaneide pediu ajuda aos vizinhos, porém, nada pôde ser feito: Adilson já estava morto.

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Bauru soma 36 homicídios no ano e atinge limite da ONU

Com a o assassinato de Adilson Araújo, Bauru atingiu o limite considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas (ONU) para registro de homicídios no ano levando em conta o tamanho da cidade. Segundo levantamento do JC, foram contabilizados 36 casos desde o início de 2010 e, de acordo com a ONU, este é o número limite para este tipo de ocorrências até o último dia deste ano.

O homicídio de ontem foge do perfil dos outros crimes. A grande maioria tem relação com tráfico de entorpecentes, acerto de contas e crimes passionais.

Também é provável que um homem cujo corpo foi encontrado no último dia 16 na Quinta da Bela Olinda, no Núcleo Mary Dota, seja vítima de homicídio. O homem, que aparentava ter entre 30 e 40 anos, foi encontrado com ferimentos profundos na cabeça e marcas de violência. Se o homicídio for confirmado, Bauru já terá ultrapassado o limite da ONU, faltando ainda mais de quatro meses para o final do ano.

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Legítima defesa

Apesar de ter sido conduzida ao Plantão Policial, Ilvaneide de Oliveira Queiroz irá responder pelo homicídio em liberdade, pois tudo indica que ela agiu em legítima defesa. De acordo com o delegado seccional de Bauru, Benedito Valencise, a mulher tinha sinais aparentes de que fora agredida e, desse modo, fica comprovada a legítima defesa.

Outro ponto que conta a seu favor é que ela não tinha antecedentes criminais, ao contrário de Adilson, que além das denúncias feitas pela própria companheira, já cumpriu pena de 5 anos e 6 meses por roubo.

Valencise explica que o fato dela não ter fugido do local também a ajudou a conseguir responder o processo em liberdade. “Ela própria chamou os vizinhos, que acionaram a polícia. Em momento nenhum ela tentou fugir do local. É um modo de apresentação espontânea. É lógico que isso não determina se uma pessoa é presa ou não. Depende do contexto de cada caso. No dela, isso ajudou bastante”. O delegado ressaltou também que o fato de ela ter três crianças pequenas também conta a seu favor.

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Vizinhos e familiares estão chocados com o crime

Francisco da Silva Neto, 58 anos, foi o vizinho acionado por Ilvaneide de Oliveira Queiroz para tentar socorrer a vítima. Segundo ele, a mulher estava desesperada e o chamou para ajudar o companheiro. Porém, quando chegou ao local, já encontrou Adilson sem vida.

“Eu só conseguia gritar com ela e perguntar o que ela havia feito”, relembra, ainda bastante chocado. De acordo com ele, horas antes do acontecido, Adilson esteve em sua casa e tudo parecia estar normal.

“Por volta das 21h ele estava aqui. A gente jogou baralho e tudo estava como sempre. Ainda não dá para acreditar que essa tragédia aconteceu”.

Porém, a normalidade acabou horas mais tarde. Maria da Paz, 50 anos, mulher de Francisco, conta que estava em casa quando ouviu Ilvaneide desesperada pela rua. “Ela chegou aqui bastante desesperada. Estava nua e somente com uma toalha cobrindo o corpo. Fui até lá, mas nem quis ver. Já percebemos que ele estava morto”, conta.

Quando questionados sobre a rotina conturbada do casal, ambos afirmam que não sabiam das alegadas brigas constantes e atribuem a Adilson o perfil de uma pessoa “sossegada”, depoimentos contrários aos boletins de ocorrência registrados contra ele.

O marido da irmã de Adilson, Wilson Sargi, 48 anos, declarou não saber se o homem era agressivo. Segundo ele, a posição da família é de que, independentemente dos problemas, nada justificava um ato como esse.

“Sabíamos que o casamento era conturbado, mas nada de agressão. Todos estamos chocados com o que aconteceu. Nada justifica algo extremo assim. Não estamos cientes do que aconteceu na ocasião, mas independente disso, acho que quem mata é criminoso”, conclui o cunhado.

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