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Na primeira audiência, advogados de Bruno desqualificam Eliza

Folhapress
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Rio - Terminou por volta das 18h de ontem a audiência sobre o processo em que o goleiro Bruno Fernandes e seu amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, são acusados pelos crimes de sequestro, cárcere privado e lesão corporal contra Eliza Samudio, em outubro de 2009.

Foram ouvidas quatro testemunhas de acusação no fórum de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. Os dois acusados só não assistiram ao depoimento de Milena Baroni Fontana, que pediu - e foi atendida pelo juiz - para que Bruno e Macarrão saíssem da sala durante o seu depoimento.

No primeiro dia de depoimento no processo por cárcere privado, sequestro e ameaça contra Eliza Samudio, sua ex-amante, a estratégia de defesa do ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes e de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, foi desqualificar a vítima. Os advogados Márcio Carvalho de Sá e Ércio Quaresma afirmaram que os depoimentos da vítima não deveriam ser levados em consideração. “Qualquer camelô de Belo Horizonte sabe que essa menina fazia filme pornô. Que crédito tem o depoimento de uma pessoa dessas? O comportamento dessa Eliza foge a qualquer padrão médio de ética e moral da sociedade”, disse Quaresma.

A defesa informou ainda que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que Eliza Samudio - que está desaparecida desde o início de junho e a polícia de Minas afirma estar morta - seja convocada para depor. “Ela vai ter que se apresentar e vamos fazê-la cair em contradição”, disse.

Indignado com a declaração, o advogado José Arteiro, que representa a mãe de Elisa, Sônia Moura, disse que a defesa de Bruno deve dizer onde Eliza está. “Se ele diz que ela está viva, ele então deve apresentá-la. A mãe vai adorar saber que a filha está viva.”

A delegada Maria Aparecida Mallet - que atuava na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) na época em que Eliza acusou Bruno - foi a primeira testemunha a ser ouvida. Segundo ela, Eliza afirmou em depoimento que teria sido obrigada por Bruno a tomar substâncias abortivas - na época das agressões, ela estava grávida do filho que dizia ser do goleiro.

Em seguida, Milena disse ter ouvido de Eliza que a amiga foi agredida, teve o cabelo puxado e o corpo embebido em álcool. Os autores das agressões seriam Bruno, Macarrão e outras dois homens armados. Segundo a testemunha, Eliza disse ter sido forçada a tomar dois comprimidos abortivos.

Dois porteiros do prédio de Bruno, Mateus Dantas e Mauro José de Oliveira, também foram ouvidos. Leandro Carlos da Conceição Freitas, também porteiro, foi dispensado pelo juiz.

Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça, Bruno e Macarrão ficarão no Rio por 30 dias. A próxima audiência deverá acontecer na segunda quinzena de setembro. Ainda serão ouvidas 13 pessoas relacionadas pela defesa, entre elas o diretor de futebol do Flamengo, o Zico, a presidente do clube, Patrícia Amorim, o lateral Leonardo Moura, o ex-técnico Andrade e outros dois jogadores.

A Justiça decidiu ontem manter Bruno e Macarrão, presos por ao menos 30 dias em Bangu 2, no RJ, até o fim das audiências. Desde o dia 7 de julho, os dois estão presos em Contagem (MG).

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