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Dono de depósito que foi incendiado voltará ao trabalho em 15 dias

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Com uma disposição surpreendente, Sebastião Pereira da Silva, 82 anos, deverá retomar suas atividades dentro de 15 dias. Ele é o proprietário do depósito de recicláveis que foi completamente destruído por um incêndio, anteontem, no Distrito Industrial 1.

No local, onde ele acumulava cerca de 80 toneladas de material plástico, também funcionava uma pequena fábrica de mourões para cercas e dormentes ferroviários feitos de plástico injetado. Depois de enfrentar a tristeza de ver todo o seu trabalho de 28 anos se transformar em cinzas, Silva, que é conhecido como “professor Pardal” por conta das suas invenções que já foram até mesmo premiadas, comparou sua disposição à força da fênix, pássaro da mitologia grega que, quando morria, entrava em auto-combustão e, depois, renascia das próprias cinzas.

“Vou sair do fogo e viver novamente. Vou montar tudo de novo”, adianta, afirmando que irá providenciar uma instalação provisória em uma área do terreno que não foi atingida pelas chamas.

Ontem, Silva já havia contratado uma equipe para efetuar a limpeza no local e outra para avaliar os danos causados às 25 máquinas industriais que ele possuía.

O prejuízo estimado é de R$ 100 mil, mas a intenção é verificar de que maneira elas poderão ser recuperadas para uso. A pressa, segundo ele, dá-se por conta de uma lista de encomendas que estavam sendo produzidas antes do incêndio.

“Não posso parar porque tenho meus clientes. É só instalar o transformador, reformar as máquinas que puderem ser reaproveitadas, voltar a recolher material plástico nas ruas para ter matéria-prima e já estaremos funcionando. A gente tem que tocar a vida”, destaca. O entulho que está sendo retirado do terreno em cinzas, segundo ele, deverá ser destinado ao aterro municipal, com pagamento de taxa à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb).

Segundo informações da CPFL Paulista, o fornecimento de energia na quadra 4 da rua Waldemar Pereira da Silveira, endereço do depósito incendiado, foi restabelecido provisoriamente ainda na tarde de anteontem e de maneira definitiva na manhã de ontem. De acordo com Clauber de Marchi Pasin, engenheiro lider da CPFL na região, a estrutura de concreto dos dois postes de iluminação que foram consumidos pelo fogo passou por avaliação técnica e não precisará ser substituída.

Foram trocados apenas as cruzetas queimadas e cerca de 600 metros de fiação elétrica, além de um equipamento telecomandado, cujo valor estimado é de R$ 70 mil. “Já voltamos à nossa configuração normal de distribuição de energia, como era antes deste incidente”, salienta.

O incêndio no depósito de materiais teve início por volta das 13h15 e só foi totalmente controlado às 15h30. Para debelá-lo, o Corpo de Bombeiros acionou três caminhões-pipa e sete caminhões de água cedidos por indústrias do distrito, além de 20 homens da corporação e 40 civis da Rede Integrada de Emergências (Rinem).

Também contou com o apoio do Helicóptero Águia da Polícia Militar (PM), que buscou água na lagoa da Quinta da Bela Olinda em um cesto com capacidade para mil litros, com o objetivo de combater o incêndio em uma zona de difícil acesso, próximo a uma mata fechada.

Ao todo, foram gastos cerca de 100 mil litros de água para combater o fogo. Mas, apesar da dimensão do prejuízo, três funcionários que trabalhavam no local conseguiram escapar a tempo e ninguém ficou ferido.

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