O interventor da AHB, Fábio Tadeo Teixeira disse ontem, durante audiência pública na Câmara Municipal de Bauru comandada pelo vereador e médico Paulo Eduardo de Souza (PSB), que duas suspeitas de possíveis irregularidades fora do setor de bucomaxilo também estão sendo apuradas pelo Ministério Público Federal (MPF) e Polícia.
Teixeira não prestou informações sobre os indícios. Mas o JC apurou que a primeira nova frente de apuração de eventuais irregularidades recai sobre os serviços de próteses. Ainda no ambiente da Operação Odontoma, desencadeada pela Polícia Federal, o JC recedeu denúncia na área de implante de próteses.
A vítima teria pago R$ 11 mil por um modelo importado. Porém, além de receber da família da paciente, a empresa de próteses e órteses, que há 22 anos prestaria serviços à entidade, também teria cobrado do Sistema Único de Saúde (SUS). Há inquérito inclusive na Polícia Civil levantando o caso.
A reportagem à época noticiou que, de acordo com Alexandre Terciotti Neto, advogado de uma paciente, a mulher de 57 anos teve de se submeter a uma cirurgia para implante de prótese no fêmur. Ela teria recebido orientação médica de que as próteses nacionais oferecidas pelo SUS não teriam a mesma durabilidade de uma importada.
O advogado conta que toda a família se cotizou para arrecadar R$ 11 mil necessários para adquirir o modelo importado. Algum tempo depois, a família teria descoberto que a empresa teria cobrado do SUS o valor referente ao modelo nacional. Ou seja, como se o implante tivesse utilizado a prótese brasileira. Dessa forma, há a possibilidade da empresa ter recebido duas vezes pelo mesmo procedimento – uma da família e outra do governo.
Além disso, Terciotti Neto destaca que a família não sabe qual prótese foi realmente implantada na paciente. Ele também ressalta que os familiares possuem os comprovantes do pagamento feito à empresa e que a administração da AHB forneceu a cópia da nota da cobrança feita ao SUS pela prótese.
O problema envolvendo implantes de próteses também já tinha sido levantado pelo MP Estadual. Na ação civil pública impetrada no dia 29 de outubro passado, quando foi deflagrada a Operação Odontoma para apurar irregularidades na AHB, consta a informação de que foi detectada possibilidade de fraude em material cirúrgico e cobranças irregulares de próteses que seriam importadas. Um paciente do Sistema Único de Saúde teria gasto R$ 15 mil com um modelo de fora do País.
Um setor da área de procedimentos oftalmológicos também está sob apuração. O procurador da República, Fabrício Carrer, que participou da audiência de ontem ao lado do procurador Pedro Antonio de Oliveira Machado, disse que a verificação também recai sobre o tipo de material utilizado em pacientes (se nacional ou importado). Um paciente que apresentou problemas após a cirurgia gerou a necessidade de verificação inicial.