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Inpe registra mais de 1.000 focos de incêndio no Brasil em 24 horas


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Brasília - Da meia-noite de anteontem até o fim da manhã de ontem foram registrados 1.391 focos de incêndios. Mato Grosso foi o Estado com maior incidência de queimadas, com 729 focos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Só neste mês de agosto, já são 22.730 pontos de queimadas registrados no País.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o número de focos pode não refletir a gravidade dos incêndios. O ministério destaca que a situação é preocupante em sete regiões: Tocantins, leste de Mato Grosso, oeste da Bahia, algumas áreas do Piauí e de Minas Gerais, Rondônia e no sul do Pará.

Ainda segundo o ministério, cerca de 10 mil pessoas estão envolvidas no trabalho de combate ao fogo, principalmente nas áreas de proteção ambiental. Desse contingente, 3 mil são dos institutos Chico Mendes e Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e 7 mil são bombeiros de todo País.

Esta semana, o Ibama já aplicou mais de R$ 4 milhões em multas por queimadas ilegais na região Norte. Em Rondônia, uma pessoa foi presa em flagrante anteontem por atear fogo, sem autorização, em uma pastagem. Além da prisão, o infrator recebeu multa de R$ 3,4 milhões.

No Pará, sete proprietários rurais dos municípios de Novo Progresso e Altamira, no oeste do estado, também foram multados. Eles provocaram queimadas em 724,91 hectares de pastos e florestas em regeneração. Além da multa de R$ 726 mil, o Ibama embargou as áreas.

Segundo o Ibama, a multa por queimada irregular é de R$ 1 mil por hectare em área de pasto e de R$ 5 mil em áreas de conservação, reservas legais ou áreas de proteção permanente. A orientação dos órgãos ambientais é para que não sejam feitas queimadas, mesmo controladas, nesta época do ano. Seguindo essa recomendação, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) proibiu a queima da palha da cana-de-açúcar, que costuma ser feita durante a colheita. A chamada queima controlada, que era permitida entre às 20h e às 6h, está sob restrição total desde anteontem até que a umidade relativa do ar se estabilize em níveis acima de 20%.

Parque ameaçado

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, declarado Patrimônio da Humanidade por sua riqueza ecológica está ameaçado atualmente por uma forte seca e incêndios. O fogo é atualmente o maior perigo para o ecossistema do parque, que tem 655 km² de formações rochosas e centenas de cascatas e foi incluído, em 2001, entre os patrimônios da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A reserva, delimitada em 1961, possui 60% das espécies vegetais e o 80% da fauna da região Centro-Oeste. Em uma recente visita, especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês) comprovaram que a seca na região, normal entre os meses de abril e outubro, começou a causar novos estragos. A umidade do ar na região pode chegar nas épocas de seca a 8%, o que alimenta as chamas, que muitas vezes são provocadas por camponeses ao limparem os terrenos com queimadas, caçadores ou turistas descuidados.

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