As constantes inovações tecnológicas fizeram com que o Ipanema chegasse aos 40 com o mesmo fôlego do pioneiro. A versão com motor de 320 HP a etanol começou a ser produzida em 2005. Em março daquele ano, o primeiro exemplar foi entregue e deixou sua marca registrada como a milésima unidade.
O projeto do modelo etanol foi desenvolvido pela Embraer em parceria com o Departamento de Ciências e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e hoje representa 90% das vendas, enfatiza o diretor industrial da unidade de Botucatu, Almir Borges.
“Ele é o único avião movido a etanol certificado no mundo. É um marco importante para a Embraer. O álcool usado no motor do Ipanema é o mesmo que usamos em nossos automóveis. Com a gasolina não ocorria o mesmo, ela tinha que ser diferente para os motores de avião.”
Além do combustível ser brasileiro, é sinônimo de economia para os usuários do avião, frisa o diretor. “A economia é significativa. Estamos falando de 1/3 do custo em relação a gasolina para aviação. Uma eficiência operacional de custos, manutenção e operação. A versão etanol traz vantagens interessantes aos clientes.”
Para os clientes que já tinham adquirido um avião antes de 2005, a Embraer oferece a oportunidade de conversão, avisa Borges. “O cliente nosso que tem um avião a gasolina e queira convertê-lo a álcool, pode comprar o kit e fazer a conversão.”
De acordo com a Embraer, aproximadamente 25% da frota brasileira utiliza etanol, que, além de ser menos poluente, prolonga a vida útil do motor e reduz o custo de operação da aeronave. O Ipanema consagrou-se como o primeiro avião no mundo a ser produzido em série com motor movido a álcool.
A inovação feita no modelo a partir de 2005 garantiu o prêmio da Indústria Aeronáutica na categoria Aviação Geral, promovido pela prestigiada revista britânica “Fligt Internacional”. Já para a revista norte-americana “Scientific American”, a novidade foi uma das 50 invenções mais importantes do ano. No cenário nacional, o Ipanema foi condecorado com o Prêmio Melhores da Terra, do Grupo Gerdau.
Para o diretor, a expectativa da empresa é continuar produzindo o Ipanema por muitos anos. “Queremos mantê-lo sempre em condições adequadas. Estamos dispostos a avaliar e estudar alterações. Durante esses 40 anos já fizemos mudanças tecnológicas, aerodinâmicas, de conforto, de ergonomia. As transformações são resultado das necessidades dos clientes que procuramos ouvir.”
Borges acredita que nos próximos dois anos o modelo vai passar por mais alterações. “Temos vários estudos em curso. Vamos tornar o Ipanema mais atual, seja no aspecto ergonômico como tecnológico e outros sugeridos por nossos clientes. Alguns componentes do avião deverão ser atualizados, especialmente para a busca da eficiência operacional.”