Tribuna do Leitor

A história se repete?


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Emília Viotti da Costa, autora de obras clássicas na historiografia brasileira, quando indagada se acreditava que a história se re-pete, deu a seguinte resposta: “A História não se repete, pois cada momento histórico é único. Mas, apesar disso, há muitas semelhanças. Por exemplo: quando se estuda a Abolição, aprende-se que os proprietários de escravos resistiram de todas as maneiras à Abolição. Confundiram seus interesses pessoais com os interesses da Nação. Acreditavam que, se a Abolição fosse feita, a nação seria arruinada. Isso, no entanto, não se verificou.

Apenas alguns proprietários ficaram arruinados. Para os proprietários de escravos, todos aqueles que lutavam pela Abolição eram irresponsáveis, agitadores, etc. Na opi-nião deles, os abolicionistas deveriam ser impedidos de continuar a campanha abolicionista. Essas atitudes encontram-se em outras épocas. Em outras palavras: os que resistem às reformas sempre argumentam que elas são nocivas à Nação e sempre se armam na defesa de seus próprios interesses, perseguindo aqueles que lutam pela melhoria da sociedade.

É evidente que comparar o movimento abolicionista com o esforço do vereador Roque Ferreira para aprovar o projeto que regulamentava a abertura do comércio aos domingos pode parecer descabido e exagerado. Não obstante, em face do clima de passionalidade e dos interesses políticos e ideológicos que permearam as discussões do referido projeto, entendemos pertinente até mesmo porque nesta mesma tribuna alguém comparou o vereador Roque à figura de Robespierre, e o clima de agitação política suscitada pelo projeto mencionado ao processo da Revolução Francesa.

Afirmar que o Roque Ferreira é oportunista, anacrônico, ultrapassado, que quer ver Bauru andar para trás, faz parte do discurso daqueles que defendem os interesses que se contrapõe ao dos trabalhadores. Isso faz parte jogo político. A História é pródiga em exemplos dessa natureza. Substituindo no texto de Viotti a palavra Nação por Cidade, veremos reproduzido o velho discurso dos conservadores que vêem o fim do mundo toda vez que alguém propõe algumas medidas humanizadoras para melhorar as relações de trabalho.

Quanto aos clichês e esteriótipos que algumas pessoas impigem ao Roque, refletem os interesses em jogo, afinal o vereador tem posição política clara, não se movimenta no limbo, nem procura agradar a Deus e ao Diabo, prática comum a muitos políticos nos dias atuais.

Woltaire C. de Oliveira Mattozinho

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