Roma - A morte de um bebê encontrado carbonizado na Itália intensificou o debate sobre as condições dos ciganos no país, já que ele foi vítima de um incêndio que atingiu um acampamento ilegal da etnia Rom na periferia de Roma. O menino, que tinha 3 anos de idade, foi atingido pelo fogo iniciado na madrugada de ontem, horário local, que teria sido ocasionado acidentalmente, segundo as autoridades da Capital italiana.
Após o ocorrido, o responsável do município de Roma para os ciganos, Najo Aszovic, anunciou que as autoridades irão auxiliar a família, com “toda a ajuda e o suporte necessário”. A autoridade máxima do Vaticano em assuntos de imigração, monsenhor Agostino Marchetto, disse a uma agência de notícias religiosas da França que a Igreja não pretende se envolver na arena política francesa.
O Vaticano “não está nem com a direita nem com a esquerda nem no centro”, mas simplesmente quer mostrar sua preocupação “pastoral” com as pessoas, disse Marchetto.
Já o prefeito da Capital, Gianni Alemanno, recordou que esses acampamentos “estão sob terríveis riscos” e reiterou que seu programa de governo conta com planos de assistência e habitação destinados aos nômades.
“Isso mostra que é preciso andar em frente rapidamente com nosso plano destinado aos nômades, que em sua plena realização prevê a remoção de todos os assentamentos ilegais para levar (os ciganos) a residências fixas, em terrenos autorizados e plenamente controlados, dentro da legalidade”, disse Alemanno, lamentando a tragédia.
Por sua vez, a Cruz Vermelha reiterou a urgência de “promover ações não apenas como medidas de socorro - para uma resposta emergencial -, mas que sejam baseadas em intervenções de auxílio para reduzir a pobreza e o sofrimento dos que vivem nessas condições”.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também alertou as autoridades sobre a necessidade de monitoramentos na região. “A morte do pequeno rom carbonizado nos desorienta e nos deixa sem palavras”, declarou o presidente da divisão italiana da agência da ONU, Vincenzo Spadafora.
“É o enésimo episódio que ocorre no interior de barracas que abrigam tantas pequenas vidas humanas”, continuou ele, lembrando que há alguns meses “um garoto morreu em Nápoles, por ter inalado (a fumaça de) carvão, nos braços da mãe que não tinha condições de pagar pelos serviços de luz e gás”.
“As crianças nômades são cidadãs de Roma e merecem as garantias e políticas de inclusão social”, ressaltou o representante do Unicef, afirmando que o fundo “está disponível para colaborar em tal percurso”.
Dirigentes da comunidade cigana na Itália também lamentaram o ocorrido e pediram que o governo impeça o “fim de tragédias semelhantes”. “Também somos contra os acampamentos ilegais: há anos esperamos uma solução”, disse Kasim Cizmic.