O crescimento econômico da China em 2010 deverá chegar a 11%, dependendo do ritmo de gastos do governo, segundo informa o chefe do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Chinês, o economista Zhang Yutai. Em entrevista ao jornal Shanghai Securities News, Yutai informa ainda que nesses gastos estão incluídos obras de infra-estrutura, as áreas de educação e saúde e ainda incentivos fiscais a novas empresas. Quanto mais o Estado aplicar, mais estímulo dará à economia. O país mantém um ritmo estável de crescimento e as recentes desacelerações nesse período se devem apenas aos ajustes necessários para esfriar e equilibrar o mercado, informa.
A China atualmente possui o segundo maior PIB do mundo, ultrapassando seu vizinho Japão. Para analistas, este fato já era esperado tendo em vista que o Japão passou dez anos estagnado, com episódios de deflação, passando por várias crises, inclusive políticas: em quatro anos, o país teve cinco primeiro-ministros. A nova lista dos maiores PIBs ficou assim: Estados Unidos, como primeira economia, com 15 trilhões de dólares; China (2º), Japão (3º), Alemanha (4º), França (5º), Inglaterra (6º), Itália (7º) e Brasil (8º).
O crescimento constante da economia chinesa criou ainda uma nova classe média, capaz de viajar para o exterior e gastar com produtos importados e de qualidade. Em algumas lojas de eletrônicos de Tóquio, os chineses já são 70% dos clientes, analisou o jornalista Roberto Kovalick. Estão muito longe de possuírem um PIB per capta de um país desenvolvido, no entanto, são os principais parceiros comerciais de vários países, como o Japão e o Brasil, sem contar nos inúmeros países que mantém seu chão de fábrica na China e depois resgatam seus produtos para competir no mercado interno.
A expectativa dos economistas é de que toda esta ascensão possa alavancar o restante da economia, o surgimento de uma nova fonte rica que passará a consumir de outros países, acelerar novas produções (mesmo que parte seja produzido na própria China) e descentralizar o poder. A nova posição econômica da China é resultante de décadas de um modelo exportador, de câmbio controlado e de reformas que abriram a economia. Mas o país já sente o que se pode chamar de “dores do crescimento”, foram 36 greves nas fábricas chinesas neste ano, algo impensável anos atrás e irônico: os trabalhadores querem uma parte da riqueza de um país que, formalmente, ainda é comunista. Até quando persistirão com o rótulo de regime comunista?
A China vai continuar crescendo, e muito, e talvez, em pouco mais de uma década, o país ultrapasse os EUA como o maior PIB mundial, segundo previsão dos analistas estrangeiros. À nós, resta apenas a indagação: quais serão os limites desta nova China? Vale a dica, preparem-se para a invasão do mandarim.
O autor, Jorge Martins, é economista, MBA Finanças/Controladoria pela ITE-Bauru