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Desafios na educação em Saúde

Abílio Aranha
| Tempo de leitura: 2 min

Novos medicamentos, equipamentos, exames e técnicas a serviço da Medicina são assuntos constantes no nosso noticiário. Felizmente, o desenvolvimento científico vem aumentando a nossa longevidade e promovendo tratamentos mais eficientes, inclusive para pacientes portadores de doenças como o câncer e a AIDS. Por outro lado, também acompanhamos um grande número de escândalos na área de Saúde que refletem o descaso de alguns gestores e profissionais de saúde com o sofrimento e a dor da população.

 Erros médicos, negligência, carência de profissionais especializados e falta de atenção são reclamações frequentes. Paralelamente ao avanço tecnológico, observa-se a queda na qualidade dos serviços prestados e as novas ferramentas nem sempre são utilizadas em prol da prestação de um melhor atendimento. Nota-se um crescente distanciamento de muitos profissionais com o compromisso de cuidar. É certo que este problema não é generalizado, mas repete-se cada vez mais frequentemente. Por isso, os educadores na área de Saúde têm um desafio: incutir na formação de novas gerações de médicos a preocupação com o outro.

 Em um cenário tão competitivo de mercado de trabalho e tantas exigências profissionais, o compromisso com a alteridade, embora seja uma questão óbvia, fica relegado ao segundo plano. A premissa é válida para todas as profissões, mas para as áreas de Saúde e Educação talvez seja um ponto mais sensível na medida em que estamos falando de respeito à vida e ao bem comum.

 Os estudantes da área de Saúde, em geral, estão imbuídos desses valores quando ingressam no Ensino Superior. Têm a expectativa de que podem fazer a diferença. E realmente podem. Só que a dureza dos hospitais nem sempre colabora. O resultado é a perda da esperança. Sem que se deem conta, os jovens estão envolvidos na engrenagem de um sistema que sufoca e automatiza. Por isso, cabe aos educadores prepará-los para a realidade e os estimular a refletir sobre o sentido de suas escolhas e o seu papel para promover mudanças. Estimular a alteridade e evitar que a esperança de fazer um mundo melhor se esvaia devem ser os principais objetivos do educador na área de Saúde. A formação de qualidade deve ser uma experiência transformadora, criativa e capaz de desenvolver as competências do aluno em prol da coletividade e do bem-estar social.

 A grande inovação na área de Saúde é olhar para o outro de forma integral, entendendo-o como um ser complexo, com medos e desconhecimento sobre o seu problema. A novidade é construir o conhecimento junto com o paciente e o fazer acreditar que, em parceria com o profissional de saúde, torna-se possível prevenir, ou, pelo menos, descobrir e superar a doença, independentemente de qual seja.

O autor, Abílio Aranha, é coordenador de ensino da Faculdade de Medicina de Petrópolis e da Faculdade Arthur Sá Earp Neto

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