Nova York - O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na sigla em inglês) precisa passar por mudanças na sua gestão e na maneira como coleta informações se quiser se manter como a principal referência a respeito do aquecimento global. Essa é a conclusão de um grupo independente de cientistas, que avaliou a atuação do painel a pedido da ONU, à qual o IPCC está ligado.
“O problema é que o IPCC cresceu muito. Hoje são quase 2.000 cientistas envolvidos como autores e outros 2.000 revisores”, diz Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp e membro da Academia Brasileira de Ciências.
Uma das sugestões do documento é a criação de um comitê executivo que inclua membros de fora da comunidade do clima.
Do ponto de vista técnico, o relatório traz recomendações para o sistema de revisão das informações e no tratamento das incertezas das previsões climáticas.
É o caso das geleiras do Himalaia. O IPCC afirmou que tais geleiras desapareceriam em 2035, muito antes do que outras fontes sugerem.
As informações foram questionadas no processo de revisão por pares, mas a crítica foi ignorada. “Esses erros sem dúvida fizeram com que o IPCC perdesse credibilidade”, disse o coordenador do relatório, Harold Shapiro, no lançamento do documento.