Cultura

Dois irmãos apaixonados pela história

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

Fotografias em preto e branco, do avaiense Clodoaldo Pitta, retratam a Bauru de 1975. Entre as paisagens marcadas pelo auge das ferrovias, a bilheteria da antiga estação da Noroeste do Brasil (NOB) é apenas um dos cenários que compõem a exposição aberta à visitação no Núcleo de Pesquisa e Documentação Histórica “Gabriel Ruiz Pelegrina”, da Universidade do Sagrado Coração (USC).

A iniciativa de resgatar os negativos perdidos do irmão, falecido há 20 anos, foi de Vivaldo Pitta, um eterno defensor da memória. “A minha intenção é dar às pessoas a oportunidade de ver como a cidade era, perceber suas modificações, conhecer a antiga arquitetura”, enumera Vivaldo, ex-inspetor de estação da Rede Ferroviária Federal.

No total, 60 trabalhos compõem a exposição - batizada de “Imagens Mágicas de Bauru” -, todos produzidos com uma objetiva conhecida por olho de peixe. Essa lente permite um ângulo de 180º, fazendo com que as imagens obtenham uma forma circular, com efeitos arquitetônicos diferentes de fotografias normais.

Clodoaldo foi ferroviário da NOB e após sua aposentadoria, mudou-se para São Paulo, onde possuía uma loja de material fotográfico e suas coleções de câmeras, especialmente a Leica, sua preferida. “As fotografias revelam o gosto do meu irmão por Bauru e a sensibilidade digna de um fotógrafo profissional”, comenta Vivaldo sobre a mostra que será itinerante.

Depois da USC, “Imagens Mágicas de Bauru” seguirá para o salão de exposições dos Correios, localizado na praça Dom Pedro II. No local, as fotografias poderão ser apreciadas até o dia 27 deste mês. A exposição conta também com a coordenação da doutora em história Terezinha Santarosa Zanlochi.

No trem da história

Há 26 anos aposentado, depois de mais de 30 de trabalho na estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), Vivaldo Pitta dedica sua vida à preservação da história, em especial a das ferrovias. É ele o idealizador do Museu Avaiense Francisco Pitta, que há seis anos dispõe à população da cidade um rico acervo de fotos, documentos e peças antigas, além de uma coleção de livros dos funcionários da Noroeste, que revelam a trajetória de cada trabalhador na antiga linha.

No local, há ainda muitas de suas telas feitas à tinta óleo, todas, é claro, com motivos ferroviários. Mas não é apenas o tempo que passou que está sob os cuidados de Vivaldo. Desde que conseguiu viabilizar o museu, ele encaderna e arquiva jornais de Bauru. “Eu dou muito valor a isso. Todas as pesquisas que eu faço foram possíveis porque alguém também guardou esses documentos. E é tão gostoso manuseá-los”, revela num suspiro apaixonado o ex-ferroviário, que também editou seu próprio jornal. O Avaiense, “o primeiro jornal de museu da América Latina” teve 32 edições publicadas, mas chegou ao fim por falta de verba.

Aos 72 anos e em meio a uma luta contra um câncer de próstata, Vivaldo almeja fazer muito mais pela memória da região que o acolheu. “Tenho dois livros para editar e o sonho de ver a implantação de um trem turístico entre Bauru e Avaí. Isso poderia gerar muita coisa para ambas as cidades”, deseja.

• Serviço

Exposição “Imagens Mágicas de Bauru” aberta à visitação na USC (rua Irmã Arminda, 10-68), até o dia 13, de segunda a sexta, das 8h às 12h, e das 13h às 17h. Às quartas, quintas e sextas haverá atendimento entre 19h e 22h.

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