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Dr. Automóvel: Reaproveitamento de peças usadas

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Conversando esta semana com meu xará Marquinhos da Pneumar, distribuidor dos pneus Continental, surgiu um assunto interessante sobre o reaproveitamento de peças usadas em automóveis. Contou-me ele que é comum o fato de alguns clientes trocarem os pneus do seu carro e levarem os usados para dar a algum conhecido ou mesmo vende-los como “meia vida”. Ele, como bom profissional e conhecedor dos fatores de risco de um pneu em mau estado, adverte e aconselha seus clientes a se desfazerem dos pneus velhos e deixá-los na própria loja, que encaminhará as carcaças para reciclagem. O fato de achar que está ajudando um conhecido doando um pneu velho é o mesmo que dar esmola em semáforo. Não resolve o problema e ainda aumenta a insegurança, afinal quem for reusar os pneus velhos estará sujeito a acidentes graves para si mesmo e para os outros, e você não gostaria de ser co-responsável por isto.

Falando em doação, temos certa experiência no assunto, pois trabalho com minha esposa em entidades beneficentes que praticamente sobrevivem disso. O que vemos com freqüência são doações de coisas quebradas e inúteis, que as pessoas se desfazem do lixo caseiro e “doam” para os mais pobres. Doar não é se limpar o entulho de casa ou da garagem. Doar um brinquedo usado em bom estado é uma coisa, agora doar um quebrado faltando pedaço é outra bem diferente. Doar sapato furado, calça sem zíper, jaqueta rasgada, tudo é lixo. Temos que nos conscientizar que quem os utilizará vai precisar deles em condições de uso, não importa se está desgastado, desbotado ou sem interesse para o dono original. Só que precisa funcionar.

O mesmo se dá com peças automotivas. Doar ou vender um pneu meia vida, que ainda esteja em condições de rodagem e que não atingiu a marca TWI (Thread Wear Indicator ou indicador de desgaste do sulco) é uma coisa perfeitamente válida, pois não compromete a segurança. Mas vender ou doar um que esteja careca aparecendo lonas e cordonéis é pura sacanagem. Falando nisso, outra sacanagem enorme é pegar amortecedores usados, que foram trocados por estar vencidos, dar uma lavada e uma mão de tinta para vender como recondicionado ou até mesmo “remanufaturado” é estelionato. Um amortecedor tem válvulas, borrachas e retentores internos, além do óleo próprio e gás, quando forem do tipo pressurizado, que se desgastam e vazam com o uso. Dizer que foram recondicionados significa abrir completamente o amortecedor velho e trocar todas as partes internas gastas, retificar a haste e depois completar com o óleo e o gás adequados, fechando novamente o amortecedor. Se estas peças forem originais do fabricante e o serviço executado por ele, a peça será classificada de remanufaturada. Só que a maioria não faz nada disso, apenas lava a peça velha e joga uma tinta em cima e a vende como “usada mas ainda funcionando”, qualquer que seja a condição dela. Isto só vai acabar quando as pessoas se conscientizarem que estão sendo enganadas ou enganando alguém e pararem de comprar porcarias, principalmente se forem itens de segurança.

Já com outros componentes de acabamento, como paralamas, portas, vidros, painel de instrumentos e uma infinidade de itens, pode-se usar peças usadas em bom estado e de boa procedência, compradas com nota fiscal para coibir roubo de carros para desmanche, e reutilizar em seu carro. Como aconteceu com meu amigo Luiz Antonio Silva, que teve um pequeno acidente com seu Ford Ka. Comprou um paralama e parte do pára-choque usados e levou seu carro para o Jaílson, da JI Funilaria e Pintura, que trocou as peças, restaurou a porta original e pintou o carro, deixando-o como novo. Isto é perfeitamente normal e estas peças podem ser reaproveitadas diversas vezes, por serem peças estruturais ou de acabamento. Mas uma peça de freio, suspensão, direção, motor, câmbio, diferencial, elétrica ou eletrônica tem vida útil e precisam ser adequadamente destinadas para reciclagem, nunca reaproveitadas. Um pneu velho que foi usado de forma correta, isto é sempre alinhado e calibrado, sem cortes na carcaça nem aparecendo as lonas ainda pode ser recauchutado ou remoldado, voltando ao uso normal não abusivo. Caminhões, ônibus e quase a totalidade dos aviões usam pneus recauchutados ou remoldados, mas tem que ser sempre de boa procedência e com garantia. De resto, evite usar peças velhas das quais não sabe a origem nem tenha comprovação do estado de conservação.

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