Washington - Após sete anos e meio e mais de 4.400 soldados mortos, o presidente dos EUA, Barack Obama, declarou ontem o fim das operações de combate no Iraque dizendo que chegou “a hora de virar a página”.
“Encerrar essa guerra não é apenas do interesse do Iraque - é do nosso próprio interesse. Os EUA pagaram caro para colocar o futuro do Iraque nas mãos de seu povo”, afirmou, ontem à noite, em pronunciamento no Salão Oval da Casa Branca.
“Hoje, estou anunciando que a missão de combate americana no Iraque terminou. (...) O povo iraquiano é responsável agora pela segurança de seu país. Essa era a minha promessa como candidato a esse cargo”, disse.
Apesar de cumprir o prometido - dois meses antes das eleições legislativas nos EUA -, Obama tem sido alvo de críticas de opositores, para quem é um erro encerrar o combate em um país inseguro e sem governo formado.
Antes do discurso, Obama afirmou que “a missão no Iraque ainda não está completa”, em visita a tropas em Fort Bliss, no Texas. Para ele, ainda não é o caso de celebrar uma vitória.
“O trabalho que continua é absolutamente crítico: prover treinamento e assistência às forças de segurança do Iraque, porque ainda há muita violência, e eles estão aprendendo a proteger o país.”
Na unidade militar texana, Obama disse ser necessário “ir atrás de terroristas”, em operações conduzidas “conjuntamente” durante a chamada “transição”.
Para isso, o governo americano mantém 50 mil soldados que servirão de apoio ao Exército iraquiano e agirão em missões de combate apenas quando requisitados.
A retirada completa das tropas deve acontecer até o fim de 2011.
Obama citou ainda o Afeganistão, onde os EUA enfrentam a sua guerra mais longa (desde 2001) e, segundo o presidente, “ainda têm uma luta muito dura” pela frente.
Mas, na Casa Branca, o democrata colocou como “a tarefa mais urgente” do governo a recuperação da economia. “Será difícil. Mas, nos próximos dias, deve ser nossa missão central como povo, e a minha responsabilidade central como presidente.”
Antes de falar sobre o encerramento das operações no Iraque, Obama telefonou para o ex-presidente George W. Bush. O conteúdo da conversa não foi detalhado.
Primeiro-ministro
O premiê iraquiano, Nuri al Maliki, disse que o país ganhou soberania após o fim das missões de combate das tropas dos EUA no país. “O Iraque hoje é soberano e independente”, disse Maliki em discurso na TV. “Nossas relações com os EUA entraram em um novo estágio entre dois países iguais e soberanos.”
O premiê destacou que forças de segurança iraquianas estão preparadas para assumir mais responsabilidades.
Iraquianos se mostram apreensivos de que a incerteza política leve a nova escalada de violência.
Mas Maliki afirmou que não haverá nova onda de violência sectária que, entre 2006 e 2007, levou o Iraque à beira de uma guerra civil.