Assim como já ocorre nos grandes centros urbanos, conseguir estacionar em Bauru está se transformando em uma tarefa cada dia mais difícil e demorada. Quando o motorista encontra uma vaga, geralmente está longe de seu destino ou em região de estacionamento tarifado pela prefeitura. Em alguns locais mais movimentados, até mesmo pagando é complicado encontrar um lugar para parar o carro, como ocorre em alguns períodos do dia em estacionamentos particulares - cada vez mais requisitados - e em centros de compras como supermercados e o Bauru Shopping.
E a solução para o problema, na avaliação de especialista consultado pelo JC, não é muito animadora. Com a frota crescente, que já ultrapassou a marca de 200 mil veículos emplacados, as pessoas terão de se conformar e se habituar a desembolsar algum dinheiro para poder garantir uma vaga para seu automóvel.
De acordo com o professor Archimedes Azevedo Raia Junior, coordenador do Núcleo de Estudos Sobre Trânsito da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), ao passo em que o número de veículos transitando nas ruas aumenta, o poder público também precisa reduzir as áreas em que é permitido estacionar para dar maior fluidez ao tráfego. Foi o que já ocorreu, por exemplo, em avenidas importantes como a Castelo Branco, grande parte da Rodrigues Alves, Duque de Caxias e Nações Unidas.
“A rua Primeiro de Agosto, por exemplo, em algum momento também terá de deixar de ter estacionamento. É algo que só não ocorreu ainda porque é uma medida impopular. A população e o comércio em geral não veem essa mudança como benéfica. Mas muita gente simplesmente evita aquela via porque ela não tem capacidade para dar vazão ao fluxo de veículos”, pontua o especialista.
Para Raia Junior, o processo de redução de espaços públicos para estacionar é irreversível e a única saída é o aumento de estabelecimentos que cobram para prestar esse tipo de serviço. Ao todo, a cidade possui 144 estacionamentos particulares, o que, para o professor, será insuficiente para atender toda a demanda num futuro não muito distante.
“Principalmente fora da área central, o número ainda é muito pequeno. As pessoas resistem muito em pagar para estacionar, mas não haverá outra solução além desta, se elas quiserem chegar ao seu destino de carro. Do contrário, terão a opção de parar em locais mais distantes e fazer parte do trajeto a pé ou utilizar o transporte coletivo”, frisa.
Difícil
É o que ocorre, por exemplo, com funcionários da prefeitura que trabalham na Praça das Cerejeiras, onde é praticamente impossível conseguir estacionar após as primeiras horas da manhã. Além da Escola Estadual Ernesto Monte, há nos arredores estabelecimentos comerciais responsáveis pela movimentação de veículos durante todo o dia.
“Quando entra em férias escolares fica um pouco mais fácil, mas geralmente a gente tem que parar em locais mais distantes. Não tem jeito”, reclama uma servidora, que preferiu não se identificar.
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Estacionamento particular lota
Para os donos de estacionamentos privados, o mercado é promissor. Há 10 anos trabalhando no ramo, o gerente de um estabelecimento instalado em frente à Praça Rui Barbosa, Leonardo Monin, afirma que o movimento de clientes só cresce e as perspectivas futuras são as melhores possíveis.
Com capacidade para 56 veículos, o local costuma ficar praticamente lotado entre 10h30 e 14h. “Em breve, haverá a inauguração de uma grande loja ao lado do estacionamento e a previsão é que o número de carros aumente ainda mais”, conta ele.
Como até mesmo o espaço para a abertura de mais estabelecimentos privados é restrito na região central, o especialista em trânsito Archimedes Azevedo Raia Junior aponta como solução de parte do problema a retomada do prédio onde deveria funcionar um estacionamento em andares entre as ruas Bandeirantes e Treze de Maio. Com aproximadamente 750 vagas, o prédio está fechado há anos. O motivo seriam inadequações no projeto de construção.
Para se ter uma ideia do quanto um empreendimento como este poderia minimizar a romaria dos motoristas, basta lembrar que sua capacidade é maior que o total de vagas de toda a área verde de Bauru, que tem espaço para 627 carros, com custo de R$ 1,00 a hora. Na área azul existem 813 vagas, cujo preço unitário por duas horas de uso é de R$ 1,50.
“O poder público, como parte interessada na resolução do problema, poderia tomar a frente e liderar a busca de uma solução para aquele prédio. É um elefante branco, que não cumpre nenhuma função social e é preciso tomar providências”, salienta.