O vereador Roberval Sakai (PP) disse ontem que errou ao afirmar que havia nomeado o colega José Roberto Segalla (DEM) para relatar o processo que averigua possíveis casos de sucateamento no Departamento de Água e Esgoto (DAE). Como presidente da Comissão de Fiscalização e Controle do Legislativo, ele corrigiu que somente ontem é que nomeou o demista para analisar o processo aberto na Casa em razão de denúncias formuladas pelo Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm).
Ontem, Sakai procurou o JC para informar que o procedimento permanece instaurado, explicando que se confundiu com processo semelhante. De qualquer forma, ontem a direção do Sinserm também informou que está relacionando mias informações colhidas na autarquia sobre o caso.
Sakai justificou do engano, alegando que o processo efetivamente arquivado pela comissão foi referente a outro caso. O vereador Segalla havia informando, corretamente, que não se lembrava de ter sido escolhido relator pelo colega de comissão.
Agora, com o erro reparado na informação do presidente da comissão, o processo vai para as mãos de Segalla. O caso teve início em maio, quando o Sinserm levantou as denúncias. O relatório com as supostas irregularidades foi encaminhado à Câmara. Entre os problemas elencados pelo sindicato, estavam a defasagem e falta de manutenção da frota e negligência com a segurança de funcionários.
O presidente do DAE, Rafael Ribeiro, foi ouvido pela comissão, apresentou uma série de justificativas e listou investimentos feitos pela autarquia na aquisição de frota, equipamentos de segurança e outros. Ele também informou que foi aberta uma sindicância interna para apurar o caso.
Ontem, representantes do Sinserm informaram ao JC que alguns problemas levantados pela entidade foram resolvidos, como a aquisição de novos veículos e máquinas e a mudança do sistema de aquecimento de betume, que antes ficava próximo a lugar de armazenamento de combustíveis. Porém, Sandro Fernandes, assessor jurídico do sindicato, informa que outros pontos não tiveram resolução e novos problemas surgiram.
Sucateamento
Fernandes pontua que o sucateamento do maquinário continua. “Falta de troca de buchamento, reposição de óleo de caminhões, quebra constante de veículos”, enumera. Outra situação apontada pelo sindicato é a da segurança dos servidores. “Na semana passada, um caminhão-pipa trafegava pela Vila Dutra quando caiu sua roda dianteira”, relata.
Ele também cita como exemplo a orientação dada aos funcionários para economizar asfalto na recuperação da rede de água e esgoto. “Os funcionários precisam fazer buracos estreitos para efetuar a manutenção, sofrendo risco de desabamentos e soterramentos”, observa.
Ele também lembrou que o transporte de funcionários continua sendo feito de forma irregular. “Os servidores são transportados junto de ferramentas, equipamentos, maquinários que podem provocar acidentes”, destaca.
Para o advogado, a sindicância aberta pelo DAE para investigar os fatos também causou uma série de problemas. “A forma como o trabalho foi conduzido é preocupante. Acompanhei alguns depoimentos e o direcionamento feito levava a uma virtual responsabilização dos servidores, que na verdade são as vítimas dessa falta de manutenção”, observa.
Segundo Fernandes, os questionamentos feitos aos servidores eram no sentido de que fosse apontado o autor das imagens enviadas à Câmara e se tinham algo contra o presidente do DAE. “Virou uma retaliação”, critica. “Além disso, as pessoas chamadas a darem depoimentos foram as que tinham alguma relação com o sindicato e a justificativa dada era que eles tinham que começar de algum ponto. É evidente que houve retaliação”, pontua, lembrando que o autor da denúncia foi o sindicato.