A greve dos servidores do Judiciário paulista, que durava 127 dias, chegou ao fim. Na Capital e na Grande São Paulo, os funcionários já voltaram ao trabalho ontem, e no Interior - incluindo Bauru -, retomam as atividades hoje.
A decisão foi tomada depois de o Tribunal de Justiça de São Paulo ter se comprometido a conceder uma reposição de 4,77% até janeiro de 2011 e a continuar negociando novos índices. O dinheiro deverá vir do governo estadual por meio de verbas suplementares.
Por ora, o aumento não será retroativo a março, como queriam os grevistas, mas o presidente da comissão de negociação salarial do TJ, desembargador Antonio Carlos Malheiros, afirma que a correção poderá ocorrer, dependendo de nova verba.
O índice que os grevistas pediam desde o início da greve, em 28 de abril - não como reajuste, mas como reposição -, era de 20,16%.
O TJ também se comprometeu a devolver o dinheiro que foi descontado nos últimos dois meses - cerca de 30% do salário e de auxílio-transporte e alimentação vinham sendo abatidos do holerite dos grevistas.
Os servidores compensarão as horas em que estiveram parados por meio de mutirões, utilização de banco de horas, licença-prêmio ou créditos de férias atrasadas.
“Não dá para dizer que foi bom. O acordo foi razoável. Acho que saímos de cabeça erguida”, disse José Gozze, presidente da Associação dos Servidores do Judiciário Paulista (Assetj).
Luciana Dias Duarte Falcão, representante dos servidores do Fórum de Bauru, diz que “o TJ não tem histórico de cumprir tudo o que fala, então, vamos esperar o mês de janeiro para ver o que vai acontecer”.
Segundo a OAB-SP, por causa da greve houve um atraso de um ano e meio nos processos, sendo que 300 mil deles ficaram represados em todo o Estado. Além disso, 100 mil audiências deixaram de ser realizadas e 280 mil sentenças ficaram sem proferimento.