Geral

Sem entrar no ar, TV Unesp já gastou pelo menos R$ 15 milhões

Por Aurélio Alonso | Com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A TV Universitária da Universidade Estadual Paulista (Unesp), sediada em Bauru, tem planos ambiciosos. No papel, é um projeto importante, com abrangência inicial de 92 cidades, mas desde sua concepção a emissora dá sinais de que está criando um “feudo” fechado, o que dificulta a transparência no uso do dinheiro público.

A concessão para a emissora funcionar ainda não foi emitida. A assessoria de imprensa da Unesp de São Paulo informou ontem que o pedido de concessão já passou por todos os trâmites no governo federal e falta a outorga ser emitida pelo Congresso. “O problema é burocrático”, informa.

Mas nem em caráter experimental a emissora entrou no ar, embora cerca de 60 pessoas tenham sido contratadas e já haja até previsão de férias para quem vai completar um ano de casa.

A universidade importou R$ 6,758 milhões em equipamentos. Outro ponto que chama a atenção foi optar pela compra de imóvel, para sede, no Jardim Contorno, ao custo de R$ 2,301 milhões. A instituição não quis fazer o investimento no próprio câmpus, onde há muita área disponível.

A Unesp desistiu da construção do prédio nas imediações do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), onde não teria custo de terreno. Apesar de ter área de sobra, a emissora vai funcionar fora do câmpus, em um imóvel no Jardim Contorno, o que foi motivo de estranhamento, porque está mais longe da estrutura da universidade, além de ocupar e reformar um prédio já edificado.

“Assim fica longe de qualquer controle, isso deu para notar porque não foi instalada nas imediações da Rádio Universitária”, diz um profissional que esteve um período na TV Universitária.

No ano passado, o JC divulgou que a Reitoria da Unesp tinha investido R$ 10,5902 milhões na TV, mas já há mais cerca de R$ 5 milhões para complementar os investimentos. As contratações foram feitas pela Fundunesp a partir de processo seletivo realizado pela Vunesp, mas que não dão estabilidade aos contratados.

Em 27 de abril do ano passado, o Ministério das Comunicações encaminhou o processo de concessão à Presidência da República, mas falta homologação pela Câmara e Senado.

Em setembro do ano passado, a Unesp informou que no prazo de 60 a 90 dias a emissora estaria no ar, mas já se passaram doze meses sem emitir nenhum sinal.

____________________

Nova diretora

Professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Ana Sílvia Lopes Davi Médola é doutora em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP) e desenvolve análises sobre linguagem audiovisual e estética da televisão.

Graduada em jornalismo e história, trabalhou em emissoras da Rede Globo e da extinta Rede Manchete. Foi diretora geral do Centro de Rádio e Televisão Cultural e Educativa da Unesp (1993-1998), coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unesp (2004-2007) e vice-presidente da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (2007-2009).

Atualmente, é vice-presidente da Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Socicom) e coordenadora do grupo de pesquisa “Televisão e Vídeo”, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Nas atividades de pesquisa, é líder do Grupo de Estudos Audiovisuais da Unesp, membro do Centro de Pesquisas Sociossemióticas (PUC-SP, USP-FFLCH, CNRS-Paris) e membro do Grupo de Estudos Semióticos da Comunicação da Unesp.

Comentários

Comentários