São Manuel – Após investigar suposto roubo a um homossexual ocorrido há cerca de duas semanas em São Manuel (69 quilômetros de Bauru), inclusive com posterior incêndio do veículo da vítima, a Polícia Civil descobriu que a ocorrência não passou de uma farsa. O delegado José Mario Toniato ainda apura a autoria e as reais motivações do incêndio, mas não descarta a possibilidade do dono ter ateado fogo no seu próprio carro para se livrar do pagamento de cinco prestações do financiamento que estavam em atraso.
Segundo informações do Setor de Investigações Gerais (SIG), na ocasião, a vítima contou à polícia que foi abordada por dois indivíduos na rua XV de Novembro, no Centro da cidade, quando ia pagar as prestações do seu veículo em um caixa eletrônico. Em seguida, ela diz que foi colocada no banco de trás do seu próprio veículo, sob a ameaça de arma de fogo, e levada até o final da Cohab II, próximo ao jardim Ouro Verde.
Ao chegar ao local, ainda de acordo com relato do homossexual à polícia, os assaltantes teriam subtraído de sua carteira o valor de R$ 1,2 mil, além do rádio do veículo. Em seguida, os ladrões o teriam trancado no interior do carro, ateado fogo, e fugido, mas ele conseguiu escapar sem nenhum ferimento antes que o incêndio se alastrasse. Após investigações, o delegado revela que a história contada pelo homossexual foi sendo desmascarada.
Após analisar as imagens gravadas pelas câmeras de segurança da agência bancária onde a vítima supostamente teria sido abordada, o delegado verificou que nem ele e nem seu veículo apareciam nas filmagens. Além disso, segundo Toniato, no momento em que o homossexual prestou depoimento para comunicar o roubo, ele não apresentava cheiro de fumaça. Ele também estranhou o fato da vítima ter saído à noite para fazer o pagamento dos boletos vencidos no caixa eletrônico.
Em novo depoimento, a suposta vítima confessou que, na verdade, havia marcado programa amoroso com um homem no local onde o veículo foi incendiado. Segundo ela, em determinado momento, os dois teriam iniciado uma discussão e, nervoso, o cliente teria ateado fogo em seu carro. O homossexual também nega que o homem tenha lhe roubado.
Agora, a Polícia Civil quer identificar o suposto cliente para descobrir se esta história é verdadeira e confirmar quem foi o responsável pelo incêndio do veículo, que tinha seguro. De acordo com o delegado, não está descartada a hipótese da vítima ter ateado fogo no seu próprio carro para não ter que pagar cinco parcelas do financiamento em atraso. O homossexual deverá responder por falsa comunicação de crime, com pena de varia de um a seis meses de detenção ou multa.