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Brasil desenvolveu mais pesquisas para o setor de celulose

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O Brasil ocupa o 12o lugar no ranking dos exportadores de celulose do mundo, embora tenha a maior indústria produtora, informa o professor da Unesp Saulo Guerra. Para ele, dependendo do instituto que analisa os dados, o País ocupa a quarta ou terceira colocação na produção, posto conquistado no ano passado, quando deixou a 6a colocação.

O eucalipto é uma espécie nativa na Austrália onde há algo em torno de 700 espécies identificadas. No Brasil há cerca de 20 espécies de cruzamentos e clones das principais. “Nós somos os maiores e melhores produtores de eucalipto do mundo” enfatiza o sócio proprietário do viveiro Angico’s de Borebi, Gilmar Pires Moraes.

Para ele, embora na Austrália o eucalipto seja nativo, eles não desenvolveram tantas pesquisas para desenvolvimento da espécie. “As técnicas de mudas resistentes foi desenvolvida no País. No meio florestal, o Brasil fez com a Austrália o mesmo que a Tailândia fez com ele em relação a borracha. Embora a seringueira seja nativa do País, eles são os maiores produtores.”

Nesse cenário surge o Estado de São Paulo como um dos maiores produtores. O motivo teria sido um acontecimento do passado que está refletindo agora, informa Guerra. “As terras tinham uma característica de solos não muito férteis a preço acessíveis. As empresas se instalaram por aqui porque viam esse potencial de expansão de área de plantio por um baixo custo. Em função disso, a nossa região, centro-oeste Paulista se tornou um polo florestal. Devemos ter aproximadamente 500 mil hectares de floresta de eucalipto plantada comercialmente. É um número expressivo.”

Para Moraes, a grande produção brasileira de celulose é fruto de muita pesquisa. “As pesquisas mais avançadas foram direcionadas para produção de celulose. As indústrias de celulose investiram muito para desenvolver o eucalipto clonal no País. Os estudos foram focados para descobrir a densidade da madeira. Os trabalhos científicos voltados para o uso do eucalipto na geração de energia são mais recentes e não tão aprofundados.”

O professor concorda com o empresário do setor. “As pesquisas voltadas a geração de energia são mais recentes, deve ter de quatro a cinco anos. Estamos desenvolvendo aqui em Botucatu e em Minas Gerais. O nosso foco é o adensamento de plantio para bioenergia.”

O plantio convencional na região é de três metros entre ruas e dois metros entre plantas. Com o plantio adensado, há redução para dois metros e meio entre ruas e meio metro, entre plantas. “Com isso há aumento de cinco vezes o número de plantas por hectare, possibilitando a produção em pequeno espaço. O produtor que tiver meio hectare ou um hectare vai conseguir ter o retorno financeiro depois de um ano, com o eucalipto.”

O cultivo do eucalipto é relativamente fácil, segundo o professor, embora tenha mudado nos últimos 15 anos. “A cultura do eucalipto mudou. O produtor tinha uma idéia há 15 anos, que era simplesmente plantar e abandonar. Hoje isso mudou. O eucalipto começou a ser tratado como uma cultura comercial e tem todo o tratos silviculturais. Tem que preparar o solo, fazer a adubação e seguir toda da metodologia. Em comparação com a cultura do café e laranja, sem dúvida que é mais fácil. O eucalipto tem menos doenças a serem tratadas.”

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