Saúde

‘Atleta eventual’ têm mais chances de sofrer lesões

Da Redação
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Recomendada como forma de tratamento para muitas doenças, a prática regular de atividades físicas tem esbarrado na falta de tempo. E o problema não atinge apenas os mais velhos. Até mesmo as pessoas recém-chegadas ao mercado de trabalho, de um modo geral, estão trabalhando cada vez mais e, consequentemente, separando menor período para cuidar da saúde.

“Além de estar cada vez mais escasso, o tempo, muitas vezes, é mal dividido, ou seja, em um determinado período se faz muito exercício, noutro, não se faz nenhuma atividade. Ou ainda, o que é pior, se exercita em frequência insuficiente. É o caso típico dos ‘atletas de domingo’”, ressalta o médico do trabalho e ortopedista da Universidade de São Paulo (USP) Fabio Pinto Nogueira.

Segundo o médico, as práticas desordenadas são as principais causas de lesões articulares e ou musculares na população “economicamente” ativa. “Eles não conseguem gerenciar sua profissão e o tempo para cuidar da saúde e, por conseguinte, acabam se machucando”, alerta.

Entorses, distensões e contraturas são alguns exemplos das lesões que podem acometer uma pessoa despreparada que se submete a uma atividade estressante para seu condicionamento osteomuscular, ou seja, que envolve o sistema músculo esquelético.

Quando o corpo é submetido a uma carga qualquer de exercícios superior ao que está preparado ou condicionado, podem advir lesões graves. Os danos provocados nesse tipo de atividade costumam ser de gravidade suficiente para dificultar ou impedir que a pessoa retorne às suas atividades laborativas por vários dias.

Desta forma, reforça o médico, o perigo reside na falta de regularidade. “O atleta, além de não ter melhora do condicionamento físico, fica sujeito a lesões por não estar desenvolvendo de forma correta a complacência muscular, ou seja, a agilidade muscular e dos tendões e os reflexos tendíneos ficam mais vulneráveis às lesões dessas estruturas”, diz o médico.

Os efeitos são piores no caso dos esportes de contato, como corrida e futebol, por exemplo. “Existem características de impactos, fintas e explosões de velocidade que sobrecarregam, ao extremo, os sistemas cardiovascular e osteoligamentar”, explica Fábio Nogueira Pinto, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade de Ortopedia Pediátrica (SBOP). (*Com informações da assessoria de imprensa do médico ortopedista)

Proteção

Quando se trata de exercício físico, o importante é a frequência. Isto porque a atividade física constante tem o condão de proteger o sistema cardiovascular e as estruturas osteo-musculares. No coração, melhora a irrigação e o bombeamento sanguíneo. E no sistema esquelético, por exemplo, proporciona melhora do alongamento, flexibilidade, resposta muscular e tenacidade ligamentar.

Dessa maneira é preciso ter muito cuidado e atenção às práticas esportivas, principalmente nos esportes típicos de domingo, para não se começar a semana com lesões.

“Ruim para saúde e também para a profissão: as pessoas que exercem a função de “atletas” somente nos finais de semana e sofrem lesões, em sua maioria, necessitam de vários dias de afastamento para tratamento e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos dolorosos e de recuperação lenta e penosa”, alerta o ortopedista Fabio Pinto Nogueira.

Aumenta número de lesões nos joelhos em crianças

Segundo o Instituto do Joelho do Hospital do Coração (HCor), o número de fraturas e torções nos joelhos de crianças e adolescentes subiu 15% ao ano na última década. O levantamento do hospital mostra problemas nas cartilagens e nos ligamentos da articulação, o que preocupa os especialistas, porque esse tipo de lesão pode comprometer o crescimento.

Ainda segundo o HCor, a alta nas lesões entre crianças está acima da média registrada na literatura internacional, o que pode ser justificado pelo fato de que, principalmente os meninos, têm se tornado “atletas de fim de semana”, ou seja, a combinação de rotina sedentária com atividades de impacto eventuais é considerada a principal causa de lesões.

Entre as principais modalidades que podem provocar o problema no joelho estão o futebol, vôlei, basquete e skate, atividades que envolvem mudança brusca de movimento e saltos. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Claudio Santili, o fato de as crianças praticarem apenas um tipo de atividade, o que sobrecarrega um grupo muscular, seria outro agravante. (Da Redação/Com informações do Instituto do Joelho - HCor e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia)

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