Ampliar as possibilidades
Eis aqui uma fala da Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza, durante uma palestra em 1998, na cidade de Franca: “Nós não pagamos para pensar, não tem sentido pensarmos pequeno. Temos que pensar grande”.
Saí da palestra me questionando: Qual é a intensidade de meu pensamento? Hoje penso pequeno? Sabia que para garantir meus pensamentos positivos necessito de autopercepção, força de vontade e três ações: 1) Afastar-me dos meus pensamentos. Ver os meus pensamentos como um observador neutro e externo os veria; 2) Avaliar cada pensamento classificando-os como positivos e úteis, que provocam felicidade, e negativos e inúteis, que geram infelicidade; 3) Esforçar-me para não pensar no negativo e inútil. Como? Desviando o pensar para novos pensamentos inspiradores, positivos e construtivos. Não é fácil. Todo mecanismo criativo nessa área é de grande ajuda.
Saber que dois pensamentos não ocupam o mesmo espaço simultaneamente também me ajuda muito. Com isso acredito ter uma determinada qualidade de pensamentos e não estar totalmente sob influência deles, mas, pelo contrário, busco ser o influenciador dos mesmos. Mas essa metodologia somente tem a ver com a qualidade de pensamento. Pensar grande tem a ver também com a dimensão do pensamento.
Na época questionei também se já havia pensado grande alguma vez. Fez-me relembrar meus sonhos de quando era criança. A criança não tem limite na imaginação. Enxerga muitas possibilidades. Conforme crescemos, a família, a sociedade e a escola, de maneira geral, nos estimulam a pensar pequeno, pois priorizam a crítica e depreciam o elogio, provocando baixa auto-estima.
É sabido que a criatividade é inibida em ambientes críticos, devido à ausência de liberdade de expressão. Quando nos tornamos adultos, sem perceber, nos padronizamos, com raras exceções. É como se colocássemos antolhos - peça de couro que se põe ao lado dos olhos dos animais - e estreitamos a visão.
Pensar grande, de acordo com a visão da líder do Magazine Luiza, tem a ver com metas ousadas. Tem a ver com “não” dar muito moral para os obstáculos que surgirão. É lógico que isso passa pelo respeito aos nossos talentos. Buscar a realização profissional em áreas que não têm nada a ver com a nossa vocação geram frustração e sofrimento desnecessários.
No processo de busca para atingir a meta, é natural o surgimento de problemas. A superação desses empecilhos tem a ver com a geração de muitas possibilidades de resoluções e boas escolhas. Quando você restringe o número de ideias, a mente fica pequena e você pensa pequeno. A desistência tem a ver também com a quantidade restrita de possibilidades de resolução.
A liberdade e a persistência têm relações com muitas opções de escolhas. Em face disso, para cada problema, experimente disciplinar-se para desenvolver pelo menos dez alternativas de solução. Como? Questionando pessoas mais experientes, pesquisando na Internet, lembrando de outras experiências similares e utilizando ferramentas de criatividade.
Toda realização consistente necessita de disciplina, constância de propósito, paciência e criatividade – geração de muitas ideias. Sem sombra de dúvida, há muito a corrigir em nós, mas os focos deveriam estar em melhorar a nossa própria forma de ver a vida e utilizar os recursos gratuitos disponíveis, visando a realização de nossos sonhos.
Desejo do fundo do coração soluções inteligentes para todos os problemas que nos rodeiam, para melhorarmos o nosso mundo.
Davison de Lucas é diretor da M. Davison & Associados, consultor organizacional e palestrante. Site www.mdavison.com.br; telefone (14) 3234-6684.