Comer bem é um dos diferencias da “Veneza brasileira”, que sediou em agosto, dentro do Ano da Gastronomia no Recife, o festival “Comida de Santo”. Oportunidade rara para se provar pratos feitos pela alta gastronomia e com descrições em dialeto africano.
O projeto teve como tema a cultura e a cozinha afrobrasileira em Pernambuco. Juntamente ao festival gastronômico, o Instituto Gilberto Freyre, com a curadoria do historiador Raul Lody, promoveu discussões e palestras sobre o tema “Cultura Negra no Brasil, na Senzala e na Atualidade”.
Quatorze restaurantes participaram do festival, com menu no valor único (R$ 45,00) contando com entrada, prato principal e sobremesa. Tudo proposto a partir dos elementos que compõe o perfil de cada santo, como raios, relâmpagos e outros.
Vá ao Recife
A receita de sucesso do Recife enquanto destino turístico passa também por uma culinária única temperada por elementos que vão do simples ao sofisticado, mesclando quantidade, qualidade e variedade de sabores. Até maio de 2011, moradores e visitantes terão motivos de sobra para celebrar o título de principal polo gastronômico do Norte/Nordeste com o Ano da Gastronomia no Recife.
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Vatapá do chef kiko selva
Modo de fazer: Rale 01 coco seco , tire o leite de coco grosso e reserve para usar no final. Tire o leite fino para bater no liquidificador com 1 punhado de castanha de caju. +ou- 15 castanhas; 1 punhado de camarão de fumeiro, sem cabecas e sem o rabo.O leite fino do coco também serve para amolecer o pão. Bater tudo no liquidificador com os temperos - Cebola,coentro,cebolinho,salsa,sal e alho. Acrescente aos poucos o caldo da cabeça do camarão. De um toque com um pouco de gengibre ralado.
Em uma panela funda, coloque um pouco de azeite de oliva e refogue um pouco de cebola. Acrescente o que foi batido no liquidificador na panela e vá mexendo aos poucos. Acrescente os camarões, em média 6 unidades grandes por pessoa. Quando o camarão cozinhar, coloque um fio de azeite de Dende e sirva junto com a farofa de dende.
obs: O grande segredo está no uso de produtos naturais, como o leite de coco. Procurar sempre o fresco. E outro grande diferencial desta receita é o Camarão de Fumeiro. Apesar de ser super dificil de ser achado, tente procura-los nos principais mercados públicos das grandes cidades.
Bolo De Tapioca do Chef Kiko
Selva com Calda quente de gengibre
Ingredientes
750 gramas de tapioca granulada
3 xícaras de açúcar
1 litro de leite de vaca
1/2 de leite de coco fresco
1 xícara de coco ralado fresco
1 pitada de sal
1/2 lata de leite condensando
1 colher de sopa de gengibre ralado
Modo de preparo: coloque em uma bacia funda, a tapioca, o coco ralado, o açúcar, o leite de coco e o sal. Misture tudo e reserve. Em uma panela, ferva um litro de leite de vaca e jogue na mistura que esta reservada. Misture bem e deixe descansar por 20 minutos , até inchar. Unte uma travessa ou uma forma com buraco, com manteiga e coloque esta mistura dentro. Leve à geladeira e deixe firmar. Desenforme e sirva.
Para a calda
Coloque o leite condensado em uma panela e leve ao fogo. Acrescente as raspas do gengibre e deixe esquentar um pouco. Quando começar a endurecer um pouco, desligue o fogo.
Abebé de Oxum para Iemanjá
Ingredientes para o arroz
200g de polvo cozido
150ml de base de moqueca
80ml de pasta de tomate sem pele
100g de arroz arbóreo branqueado
manteiga de garrafa a gosto
Modo de preparo: Refogar o polvo em manteiga de garrafa e adicionar a base de moqueca. Deitar o arroz arbóreo até chegar ao ponto e finalizar com a pasta de tomate pelado.
Odoiá de Vieiras
Ingredientes
2 vieiras G,
60g de farinha de milho
300ml de azeite de dendê
100ml de caldo de moqueca reduzida a 50%
Modo de preparo: Empanar as vieiras temperadas com sal e pimenta branca com farinha. Fritar por imersão no dendê a 180º
Ingredientes para base de moqueca:
1l de leite de côco tirado na hora
2 cebolas
1 tomate
1 pimentão
2 dentes de alho
1 col de chá de limão galego
sal e pimeta a gosto
1 maço de coentro
Modo de preparo: Cortar todos os ingredientes em brunoise e refogar no azeite de dendê. Deitar o leite de côco e cozinhar por 30 min. Adicionar o coentro para os 15min finais de cozimento. Corrigir sal e pimenta. Montagem: Deitar a base de moqueca no centro do prato. Colocar a coquilagem com as vieiras empanadas por cima e decorar com um pouco de dendê e camarões secos.
Carne de sol com queijo coalho
Ingredientes para a carne-de-sol
450g de contra-filé bovino limpo
20g de sal fino
Para o pirão:
150g de queijo de coalho
320ml de leite
30ml de manteiga
20g de farinha de mandioca fina
2 sementes de pimenta-do-reino preta
2 sementes de coentro
1 folha de louro
15g de cebola picadinha
15g de alho-poró picadinho
Modo de preparo: Carne-de-sol
Espalhe o sal por toda a carne. Deixe desidratando por 4 horas, descartando sempre a salmoura que se forma. Ao final das quatro horas salgue a carne mais uma vez e leve a geladeira por mais 24 horas para desidratar bem descartando a salmoura. Embale e deixe no freezer por no mínimo 7 dias. Para retirar o sal da carne, coloque em um recipiente com água e esfregue um pouco. Deixe por trinta minutos e troque a água (repita o processo de duas a três vezes). Grelhe a carne em uma frigideira ou churrasqueira até que fique no ponto desejado.
Pirão de queijo de coalho
Refogue rapidamente a cebola e o alho-poró em parte da manteiga. Abaixe o fogo e acrescente o leite, a folha de louro, as sementes de coentro e a pimenta. Quando levantar fervura desligue e coe. Reserve o leite e descarte o restante. Corte o queijo em cubinhos, coloque no liquidificador com o leite e processe até formar um creme homogêneo. Leve ao fogo com o restante da manteiga e a farinha de mandioca mexendo sempre até adquirir a consistência de um purê. Rendimento: 2 porções.
Farofa de Dendê
Ingredientes
3 xícaras de farinha de mandioca
3 colheres de sopa de azeite de dende
1 colher de sopa de cebola picada
Cebolinha verde
Modo de preparo: Refogue a cebola e o cebolinho verde no azeite de dende e coloque a farinha na panela. Deixe a farinha cozinhar um pouco e acerte o sal. Sirva ao lado do Vatapá.
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Orixás x Elementos
Iansã: Símbolos: Espada e Eruesin. Elementos: Ar em movimento, Fogo. Domínios: Tempestades, Ventanias, Raios, Morte. Iansã é a orixá guerreira. Na realidade, indica a união de elementos contraditórios, pois nasce da água e do fogo, da tempestade, de um raio que corta o céu no meio de uma chuva. A tempestade é o poder manifesto de Iansã, rainha dos raios e das ventanias.
Iemanjá: Símbolo: Abebê prateado. Elementos: Águas doces que correm para o mar, Águas do mar. Domínios: Maternidade (educação), Saúde mental e Psicológica. É a rainha de todas as águas do mundo, seja dos rios, seja do mar. O seu nome deriva da expressão YéYé Omó Ejá, que significa, mãe cujos filhos são peixes.
Logun Edé: Símbolos: Balança, Ofá, Abebê e Cavalo-marinho. Elementos: Terra (floresta) e Água (de rios e cachoeiras). Domínios: Riqueza, Fartura e Beleza. Logun Edé é o orixá da riqueza e da fartura, filho de Oxum e Oxóssi, deus da guerra e da água. É, sem dúvida, um dos mais bonitos orixás do Candomblé, já que a beleza é uma das principais características dos seus pais.
Nanã: Símbolo: Bastão de hastes de palmeira (Ibiri). Elemento: Terra, Água, Lodo. Domínios: Vida e Morte, Saúde e Maternidade. Sendo a mais antiga das divindades das águas, ela representa a memória ancestral do povo africano: é a mãe antiga (Iyá Abá) por excelência. É ligada à chuva, à lama dos alagados, ao barro.
Obá: Símbolos: Ofange (espada) e Escudo de Cobre), Ofá (arco e flecha). Elementos: Fogoe Águas Revoltas. Domínios: Amor e Sucesso Profissional. Obá é uma Orixá guerreira. Usa um escudo, uma espada e uma coroa de cobre. Obá é a mulher consciente do seu poder, que luta e reivindica os seus direitos, que enfrenta qualquer homem - menos aquele que tomar o seu coração. Ela abraça qualquer causa, mas rende-se a uma paixão.
Ogum: Símbolos: Bigorna, Faca, Pá, Enxada e outras ferramentas. Elementos: Terra (florestas e estradas) e Fogo. Domínios: Guerra, Progresso, Conquista e Metalurgia. Ogum é o temível guerreiro, deus do ferro, da metalurgia e da tecnologia.
Omulu: Símbolos: Xaxará ou Íleo, lança de madeira, lagidibá. Elementos: Terra e fogo do interior da Terra. Domínios: Cura de doenças, saúde, vida e morte. Omulu é a Terra. Essa afirmação resume perfeitamente o perfil deste orixá, o “Rei Dono da Terra”. Ligado também ao interior da terra, o que denota uma íntima relação com o fogo, já que esse elemento domina as camadas mais profundas do planeta.
Ossaim: Símbolos: Haste ladeada por sete lanças com um pássaro no topo (árvore estilizada). Elementos: Floresta e Plantas selvagens (Terra). Domínios: Medicina e Liturgia através das folhas. Sem folhas não há orixá, elas são imprescindíveis aos rituais do Candomblé. Cada orixá possui suas próprias folhas, mas só Ossaim conhece os seus segredos, só ele sabe as palavras que despertam o seu poder, a sua força.
Oxalá: Símbolo: Opáxoró. Elementos: Atmosfera e Céu. Domínios: Poder procriador masculino, Criação, Vida e Morte. Oxalá é o detentor do poder procriador masculino. Todas as suas representações incluem o branco. É um elemento fundamental dos primórdios, massa de ar e massa de água, a protoforma e a criação de todos os seres.
Oxossi: Símbolos: Ofá (arco), Damatá (flecha), Erukeré. Elemento: Terra (florestas e campos cultiváveis). Domínios: Caça, Agricultura, Alimentação e Fartura. Oxóssi é o deus caçador, senhor da floresta e de todos os seres que nela habitam, orixá da fartura e da riqueza.
Oxum: Símbolo: Leque com espelho (Abebé). Elemento: Água Doce (Rios, Cachoeiras, Nascente, Lagoas). Domínios: Amor, Riqueza, Fecundidade, Gestação e Maternidade. Oxum é a mais bela Iyabá (orixá fêmea), a rainha de todas as riquezas, a protetora das crianças, a mãe da doçura e da benevolência. Generosa e digna, Oxum é a rainha de todos os rios e cachoeiras. Vaidosa e dona da fecundidade das mulheres, é a dona do grande poder feminino.
Oxumaré: Símbolos: Ebiri, serpente, círculo, bradjá. Elementos: Céu e terra. Domínios: Riqueza, vida longa, ciclos, movimentos constantes. Oxumaré é o orixá de todos os movimentos, de todos os ciclos. Se um dia Oxumaré perder suas forças o mundo acabará, porque o universo é dinâmico e a Terra também se encontra em constante movimento. Oxumaré é representado pelo arco-íris.
Xangô: Símbolos: Oxés (machados duplos), Edún-Ará, xerê. Elementos: Fogo (grandes chamas, raios), formações rochosas. Domínios: Poder estatal, justiça, questões jurídicas. O poder de Xangô é a sua síntese – o poder em si. Expressa a autoridade dos grandes governantes, mas também detém o poder mágico, já que domina o mais perigoso de todos os elementos da natureza: o fogo.