Não me atrevo a opinar negativa ou afirmativamente, mas apenas proponho pontos para discussão e reflexão. Muito embora existam certas evidências quando se fala em patriotismo ou civismo que, salvo melhor juízo pesam mais para o lado negativo, isto é, para o seu arrefecimento. Será que os feriados cívicos são bons e necessários por que apenas nos proporcionam merecidos descansos, como é o caso desta Semana da Pátria, em que está ocorrendo um “feriado longo”? Ou também pensamos verdadeiramente no culto e merecidas homenagens aos nossos heróis que participaram na construção de nossa Pátria? Será que estas informações são repassadas aos nossos filhos e netos?
Caro leitor, você teria coragem de hastear em frente de sua casa a bandeira brasileira, como fazem outros povos com suas bandeiras? Sem dúvida poucos serão os corajosos, obviamente porque nós, brasileiros, ainda não estamos preparados para tal. Talvez fosse motivo de pilhérias e gozações. Se fizermos uma pesquisa junto aos nossos jovens e adultos pedindo para cantar partes de Hino Nacional Brasileiro e escrever as partes cantadas, quantos o fariam, mesmo sendo universitários? E se fizermos outra pesquisa perguntando quantas estrelas há na nossa bandeira, quantos acertariam? Não considero este fato como culpa do cidadão, adolescente ou aluno, mas sim falha de nossa escola, do empresariado, das forças vivas e, principalmente, da mídia, da tv, o mais eficiente meio de comunicação junto ao povo. E que muito poderia fazer nos intervalos das novelas. Falha do sistema em que se valoriza demais o “ter”. Há escolas cujos alunos cantam diária ou semanalmente na entrada o Hino Nacional. Em compensação, há escolas e mesmo faculdades que deixam de hastear o pavilhão nacional nos feriados, por esquecimento ou displicência. Há algum tempo era comum a publicação da letra do Hino Nacional e do Hino à Bandeira em capas de cadernos, outros materiais escolares e determinados produtos industriais. Hoje, opta-se por ilustrações com propaganda de carros e de outros produtos que estimulam o consumismo, um dos nosso males atuais. Considero um sério responsável pelo indiferentismo ao civismo, não apenas em nosso País, como em outros, a facilidade de comunicação pela internet. A tecnologia da Internet tem tantos recursos como Skype, msn, twitter, celulares, fazendo da comunicação uma impensada e automática rotina, como se estivéssemos no mesmo ambiente, escritório ou casa, esquecendo-nos de que o outro, interlocutor ou amigo, encontra-se a milhares de quilômetros, do outro lado do mundo. Hoje, em verdade, o nosso planeta está globalizado, como se fosse uma grande urbe. Mas é preciso que nunca se esqueça de que essa impressão não é verdadeira, porque mesmo que se fale durante a comunicação a mesma língua do outro, a individualidade nacional continua e deverá continuar.
A rápida e eficiente comunicação permite que acompanhemos o que acontece de bem ou de mal a milhares de quilômetros de distância, esquecendo o próximo, aquilo que está ao nosso redor. Muitas vezes nos extasiamos com as maravilhas de outras partes do mundo e não vemos as maravilhas de nosso País, deixando de ver sua extensão continental em que se fala apenas uma língua, em que não há dialetos e, muito importante, com predominância de religiões cristãs. Após todas essas delongas colocadas, é muito importante que caiamos na real. E se todos aqueles inquiridos ou pesquisados souberem cantar e escrever o Hino Nacional Brasileiro, Hino à Bandeira conhecer os símbolos da Pátria e hastearem a flâmula defronte de suas moradias e estabelecimentos comerciais, será que sentem e vivenciam realmente o patriotismo ou civismo que deve fazer parte de nossa vida como cidadãos comuns? Somos patriotas ou estaremos apenas representando, encenando?
Depende tudo do que se entender por patriotismo ou civismo. Que é aquela postura, aquele sentimento que devem perdurar durante toda a vida do homem, do mesmo cidadão que deve ter conhecimento e extasiar-se com as maravilhas e penalizar-se com as misérias que possam ocorrer no país e com o povo, independentemente de nossa vontade, conscientes de que, sem qualquer ilusão, de que somente a nós, povo brasileiro cabe a defesa e a preservação deste nosso maravilhoso e abençoado País. A nenhum outro povo!
O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor