Eles são pequeninos, fofinhos, engraçados e conquistam qualquer um. Para quem tem afinidade com animais, fica ainda mais fácil chegar bem perto deles, já que aparecem em vários pontos de Bauru como Jardim Botânico, Vale do Igapó e até regiões de concentração de prédios, como Jardim Marambá. Os saguis vêm chamando a atenção da população e também de observadores como o biólogo e diretor do Zoológico de Bauru, Luiz Pires, que afirma que há superpopulação desses animais.
O biólogo James Bilce, que é bauruense e atualmente reside no Estado do Mato Grosso, também afirma que há superpopulação de saguis e ressalta que eles não são nativos das matas da região de Bauru. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não classifica a quantidade de saguis na região como superpopulação, mas confirma que se trata de uma espécie invasora.
Os macaquinhos encontrados em Bauru são de duas espécies distintas: o sagui-de-tufos-brancos e o sagui-de-tufos-pretos. A diferença das duas espécies está principalmente na pelagem. O sagui-de-tufos-brancos possui pelagem branca nas orelhas, já o sagui-de-tufos-pretos, tem as orelhas pretas. Além disso, eles são naturais de distintas áreas do Brasil.
A primeira espécie é nativa do Nordeste do País. Já a segunda é de uma região mais ampla, que inclui Bahia, Goiás, Minas Gerais e norte de São Paulo. “O sagui-do-tufo-preto é natural do Estado de São Paulo, mas não da nossa região. Ele é muito encontrado à direita do rio Tietê”, completou Pires.
Chegada a Bauru
Mas como esses primatas vieram parar em Bauru? De acordo com o Setor de Fauna do Ibama, há dois fatores que podem explicar. O primeiro é a soltura na natureza, de maneira ilegal, de animais que estavam aprisionados, vítimas de tráfico. O segundo é a existência de alimentos, na maioria das vezes ofertada pelo homem, que acha os saguis bonitinhos e passa a fornecer comida a eles.
“Eles conseguiram permanecer em Bauru devido à facilidade de alimento e porque aqui existia uma grande área de cerrado, habitat natural desses primatas. Além disso, o sagui não tem predador natural na região, como felinos carnívoros, gaviões, jiboias, entre outros”, ressaltou Pires.
Junta-se a isso, como informa o Ibama, o fato desses animais terem alimentação diversificada e serem tolerantes a ambientes alterados. Ou seja, eles conseguem se adaptar em áreas desmatadas e urbanizadas.
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Já ocorre desequilíbrio ambiental
A superpopulação de saguis na área urbana de Bauru pode colocar em risco o equilíbrio natural de espécies. Os saguis que sempre são avistados em um condomínio do Jardim Marambá já deram uma demonstração disso. A esteticista Gleise Keller Assunção, que trabalha em frente ao local, contou, assustada, que recentemente um dos macacos comeu um filhote de pomba.
“Ele chegou nervoso, invadiu o ninho que fica na árvore e que tinha dois filhotes. Um ele comeu e o outro ele matou e ficou segurando. Em seguida jogou esse segundo filhote no chão. A pomba mãe ficou desolada sem os filhotes. Eu não sabia que os saguis comiam pássaros”, relatou em entrevista recente ao Jornal da Cidade.
Segundo o biólogo e diretor do Zoológico Municipal, Luiz Pires, e comprovado também pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), quando os saguis não encontram seu alimento preferido, eles se alimentam dos ovos e dos filhotes de aves.
“Aqui em Bauru já foram feitos estudos no Jardim Botânico em que um pesquisador colocou ninhos artificiais nas árvores e os saguis comeram esses ovos. E no zoológico eles já estão fazendo buracos em algumas árvores e se alimentando da goma que existe no interior delas. Esse buraco acaba levando a árvore à morte”, explicou Pires.
O Ibama também alerta que os saguis invasores causam sérios danos ambientais ao competir com espécies da fauna local. E isso afeta outras espécies de animais. Os primatas também desempenham um importante papel na cadeia ecológica como predadores, presas de alguns animais e dispersadores de sementes de diversas plantas.
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Espécie invasora
Uma espécie é considerada invasora quando é introduzida por ação humana, propositada (por exemplo, para cultura), ou acidental (por exemplo, agarrada aos cascos de navios), numa determinada região ou localização onde antes não ocorria naturalmente. Ou seja, não é nativa.
Ainda para ser considerada invasora, esta espécie precisa estabelecer uma população reprodutora nesse local sem mais intervenção humana. E, num próximo estágio, a espécie torna-se praga nessa nova localização, ameaçando a biodiversidade local.
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Dar comida atrai sagui para cidade
Os saguis são animais sociais, de hábito diurno e vivem em bandos. “Geralmente esse grupo possui uma única fêmea, que é considerada master, e é designada a ser a reprodutora do grupo. Ela gera dois filhotes por ano”, explica Luiz Pires.
A sua alimentação é bem diversificada e eles podem se alimentar de flores, alguns frutos, alguns vegetais, fungos, invertebrados e pequenos vertebrados. Quem alimenta esses animais geralmente pensa que está ajudando, até porque acha que o animal sofra com falta de alimento. Entretanto, Pires afirma que é bem difícil que isso aconteça.
“É muito difícil que os saguis passem fome no ambiente urbano porque sua alimentação é bem diversificada. Quanto mais são alimentados, mais eles invadem as cidades. Depois, como o bando aumenta, as pessoas querem que eles vão embora. Para evitar que eles se acomodem no ambiente urbano é só não alimentá-los que eles procurarão alimento nos resquícios de mata aqui existentes”.
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Risco de doenças
Não alimentar os saguis que invadem a cidade não é somente uma forma de contribuir para que voltem às matas, mas também de proteger a saúde do ser humano. Os saguis podem ser agressivos e, de acordo com o Ibama, podem morder e arranhar o ser humano se sentirem-se ameaçados.
O homem, como também é um primata, pode contrair doenças desses animais. Algumas patologias transmitidas pelos saguis ao homem podem ser graves e fatais como a febre amarela, hepatite tipo A, tuberculose, leptospirose, toxoplasmose, malária, herpes, raiva, doenças respiratórias e também gastrointestinais.
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Macacos estão protegidos por lei
O Ibama informa que os saguis são representantes da fauna silvestre brasileira e estão protegidos pela lei ambiental do Brasil. O manejo de populações de vida livre e a manutenção desses animais em cativeiro sem a autorização do Ibama constitui em crime ambiental previsto no artigo 29 da lei de crimes ambientais nº. 9.605/1998.
Ou seja, é crime contra a fauna caçar, apanhar, utilizar, vender, exportar, adquirir para si, guardar ou manter em cativeiro espécimes da fauna silvestre nativa ou em rota migratória sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente ou em desacordo com a obtida.