São Paulo - Candidatos a governo de Estado que apoiam Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República lideram as pesquisas de intenção de voto em metade dos dez maiores colégios eleitorais, enquanto aliados de José Serra (PSDB) estão à frente em três dos principais Estados.
Tomando-se como base pesquisas recentes, dilmistas caminham para vencer no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará e Bahia, enquanto os candidatos que apoiam Serra no âmbito nacional têm boas chances de ficar com São Paulo, Paraná e Pará.
Não há favoritismo claro para os principais concorrentes em Minas Gerais e Santa Catarina, embora analistas consultados pela reportagem acreditem em vitória do tucano Antonio Anastasia para o governo mineiro e de Angela Amin (PP), neutra na disputa nacional, para o catarinense.
Mas o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB), não acredita que, se Dilma confirmar a liderança nas pesquisas e vencer, a oposição use o peso dos dois maiores colégios eleitorais do País para bater de frente com a petista. Ele lembrou que governos estaduais e o federal “têm interesses semelhantes”.
Na prática, a situação não seria diferente do que ocorreu nos dois mandatos do presidente Lula, quando tanto São Paulo como Minas já eram comandados por tucanos - Geraldo Alckmin, nos primeiros quatro anos em São Paulo, seguido pelo ontem presidenciável José Serra, e Aécio em Minas. As relações nunca foram tensas.
Carlos Melo, cientista político e professor do Insper (antigo Ibmec), concorda com Fleischer. “Precisa ter uma relação institucional, até por conta da dependência financeira e do menor número da bancada”, disse, em referência às projeções de que os partidos hoje na oposição devem ver suas representações reduzidas no Congresso a partir de 2011.
Caso Serra consiga reverter o cenário atual, Melo acredita que, mesmo em maior número, os governadores contrários a ele não representariam problemas para o tucano, ao menos no início de seu mandato. “Não vejo ninguém fazendo o que o Itamar fez em 1999, quando pediu moratória da dívida”, disse Melo. Ele acrescentou que, se vencer, Serra “vai ter problemas” em compor uma maioria no Congresso, ainda mais com o esperado crescimento de PDT e PSB.
De acordo com estimativas de empresas de consultoria política e análise parlamentar, essas duas legendas devem aumentar de tamanho no Congresso, e amealhar um número maior de governos estaduais.
O PSB, por exemplo, tem praticamente asseguradas vitórias em Pernambuco, com Eduardo Campos, Ceará, com Cid Gomes, e Espírito Santo, com Renato Casagrande. E tem chances na disputa no Piauí, com Wilson Martins. Já o PDT aparece bem em Alagoas, com Ronaldo Lessa. Esses cenários, disseram os analistas, podem sofrer modificações, visto que em alguns Estados, o número de indecisos ainda é elevado.