Internacional

Irã amplia atividade nuclear, diz ONU


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Viena - O Irã mantém seu programa nuclear, apesar das sanções internacionais, disse a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) em um novo relatório, qualificado de “perturbador” por Washington e “não equilibrado” por Teerã.

O texto confidencial, obtido ontem pela Reuters, mostra que a AIEA continua preocupada com a possibilidade de que o Irã realize atividades voltadas para o desenvolvimento de armas nucleares.

Segundo o documento da agência nuclear, o Irã produziu 2,8 toneladas de urânio de baixo enriquecimento, alta em relação às 2,4 toneladas em maio.

A AIEA alertou também que a recusa iraniana em aceitar certos inspetores nucleares internacionais está prejudicando as atividades da agência no país, que insiste no caráter pacífico das suas atividades.

“Este é um relatório bastante crítico, e parece que as partes chegaram a um impasse”, disse David Albright, diretor do Instituto para a Ciência e a Segurança Internacional, com sede em Washington.

Os EUA disseram que o relatório prova que o Irã continua tentando desenvolver capacidade bélica nuclear.

“Os relatos da AIEA sobre a obstrução e a não cooperação do Irã são perturbadores para todos os que se importam com a não proliferação e a segurança global”, disse Tommy Vietor, porta-voz da Casa Branca.

Ali Asghar Soltanieh, embaixador do Irã junto à AIEA, disse que o relatório assinado pelo diretor-geral da entidade, Yukiya Amano, “abala a reputação técnica da agência” e é “não equilibrado” em comparação aos textos preparados pelo antecessor de Amano, Mohamed ElBaradei.

Segundo a agência de notícias iraniana Mehr, Soltanieh disse que todas as atividades nucleares do Irã estão sob “completa supervisão” da AIEA.

O relatório da AIEA cita preocupações com as “repetidas” objeções do Irã às nomeações de inspetores feitas pela agência, dizendo que isso “atrapalha o processo de inspeção” e a eficácia do seu trabalho na República Islâmica.

Teerã barrou em junho a entrada de dois inspetores no país, acusando-os de apresentar relatos equivocados de que alguns equipamentos nucleares teriam desaparecido. Casos semelhantes já haviam ocorrido anteriormente.

Um diplomata familiarizado com as investigações da AIEA no Irã afirmou que esses incidentes aumentaram a “pressão” sobre os inspetores. Para Albright, o fato “mostra a erosão da capacidade da AIEA em fazer seu trabalho.”

(Reportagem adicional de Ross Colvin, em Washington)

2010-09-06 20:36:05 GMT+00:00

A produção total iraniana de urânio de baixo enriquecimento subiu cerca de 15% desde maio, chegando a 2,8 toneladas, revelou hoje um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O crescimento acontece apesar da nova rodada de sanções aprovada em junho pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e sanções unilaterais de vários países.

O relatório confidencial também afirma que a AIEA segue preocupada com a possível intenção do Irã de desenvolver uma bomba atômica. Até meados de agosto, o país já tinha 22 quilos de urânio altamente enriquecido, provavelmente para um reator de investigação.

“Estima-se que entre 09 de janeiro de 2010 e 20 de agosto de 2010 (...) 22 quilos de UF6, urânio enriquecido a 20%, foram produzidos em sua planta piloto em Natanz”, afirma a AIEA.

Até agora, o Irã só enriquecera urânio em Natanz até 5%. O enriquecimento a cerca de 20% só começou no início de fevereiro, com o objetivo alegado de usá-lo como combustível para produção de energia elétrica e uso em isótopos médicos. Para produção de bombas, é necessário urânio enriquecido a 90% - algo que o Irã não teria condições da fazer, segundo analistas.

A agência da ONU afirma ainda que o Irã impede a investigação da agência sobre o uso de seu urânio e nega o acesso a suas instalações nucleares.

No último dia 9 de junho, o Conselho de Segurança aprovou uma quarta rodada de sanções ao Irã por manter enriquecimento de urânio em seu território, o que viola resolução anterior do Conselho. A resolução estabelece novas restrições às operações dos bancos iranianos, enquanto aumenta a apuração das transações das entidades financeiras do país no exterior. Além disso, endurece o embargo de armas ao Irã e sanciona 40 entidades do país e reforça o regime de inspeções a navios e aviões iranianos.

Grande parte da comunidade internacional, com EUA e Israel à frente, acusa o Irã de ocultar, sob seu programa nuclear civil, outro programa, de natureza clandestina e aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armamento atômico.

Além de não terem conseguido convencer o Irã a desistir de seu programa nuclear, as três rodadas de sanções da ONU impostas ao país já tiveram efeitos adversos para o Ocidente, como estimular o mercado negro e beneficiar os líderes iranianos devido à irritação da opinião pública. Segundo o “think tank” americano Council on Foreign Relations, o espectro limitado das atuais sanções e a recusa de aliados de restringir negócios com Teerã impedem que sejam sentidos efeitos graves na economia do país.

Mesmo Moscou e Pequim (principal parceiro econômico do Irã) mantêm negócios importantes com o país, inclusive em áreas sensíveis como energia e defesa. Quanto a restrições de viagens impostas a militares e funcionários do programa nuclear, o impacto é pequeno porque, segundo analistas, essas pessoas já saíam pouco do país.

Outro problema é que os iranianos acabam aprendendo a burlar as regras, alimentando redes de mercado negro por todo o mundo. Em 2009, por exemplo, foi revelado um esquema para a compra de peças de aeronaves. Uma empresa de aviação holandesa admitiu ter canalizado ilegalmente peças de aviões americanas para o Irã de 2005 a 2007. Há também processos contra contrabando de peças através de Colômbia, Malásia, Cingapura, Irlanda e Hong Kong.

Outro problema é que muitas vezes restrições têm maior probabilidade de fazer aumentar os preços de produtos estrangeiros proibidos do que impedir que eles cheguem ao Irã. E sanções financeiras também foram burladas.

Em janeiro de 2009, o banco Lloyds TSB (Londres) pagou US$ 350 milhões em multas após ocultar o envolvimento de entidades de países que incluem o Irã em transferências com bancos dos EUA, durante 12 anos. Em 2006, os reguladores multaram o banco holandês ABN Amro por negócios semelhantes.

Ainda assim, algumas consequências importantes derivam das sanções. Em Teerã, são comuns cortes de energia devido à falta de geradores elétricos, que estão na lista de bens proibidos por causa de seu potencial uso militar, por exemplo.

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