Madri - A polícia da Espanha prendeu ontem mais cinco acusados de participar de uma rede internacional de exploração sexual de homens em Madri (a maioria deles brasileiros). A operação ocorreu em três bordéis no Centro da Capital espanhola. A rede era comandada em Palma de Mallorca e operava em várias províncias.
Essa é a segunda fase da operação, que começou há uma semana. Na primeira série de prisões, 14 foram presos, dentre eles, nove brasileiros, quatro espanhóis e um venezuelano. Eles estavam em diferentes cidades do país.
Na batida policial de ontem, de acordo com a BBC Brasil, nenhum brasileiro estava entre os detidos. Mas todos seriam sul-americanos: dois chilenos, um colombiano, um venezuelano e um equatoriano. Todos estavam de forma irregular no país.
Um garoto brasileiro de 16 anos estava entre as vítimas da rede. Encontrado em um dos quartos, ele estava há quase três semanas confinado no prostíbulo. O adolescente ficava 24 horas disponível para os clientes. Imagens dele eram divulgadas na Internet, segundo a polícia.
Em cada uma das casas de sexo investigadas havia entre oito e dez homens. O cabeça da rede, identificado como Lucas, também é brasileiro. Ele está preso desde a semana passada. Na Espanha, como no Brasil, prostituição não é crime. O que leva à cadeia é a exploração sexual de pessoas.
Aliciados principalmente no Maranhão, os garotos de programa eram enganados com relação às condições de trabalho. Eles recebiam passagens aéreas para a viagem à Europa. Sabiam que o destino seria casas de prostituição. Desconheciam, porém, que eram locais degradantes.
Para trabalhar mais recebiam cocaína, viagra e vasodilatadores. O programa custava cerca de R$ 130,00. Metade do valor ficava com o dono do quarto. Eles ainda pagavam aluguel e precisavam repor o valor da passagem - que chegava a 4.000 euros -, sob pena, inclusive, de serem mortos. O governo brasileiro ajudou nas investigações, que começaram em fevereiro.