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Ficha Limpa: e os eleitores?

Edson Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Uma nota publicada em um grande jornal da região de Campinas falava sobre a Lei da Ficha Limpa e um fato me chamou a atenção. A nota dizia (com nome do partido e do candidato) que a cúpula do partido no Estado de São Paulo andava preocupada com o fato de um de seus candidatos ser um dos enquadrados na Lei da Ficha Limpa e que por força de recurso judicial fazia campanha normalmente, eventualmente podia ser eleito, mas depois ser cassado, caso haja sentença definitiva indeferindo o registro eleitoral do mesmo.

Pelo menos foi deixado claro na nota que a preocupação do partido era com o coeficiente eleitoral, ou seja, distribuição dos votos para a legenda, que ficaria prejudicada com a cassação, podendo prejudicar candidatos do partido que podiam perder os votos anulados (então atribuídos ao candidato Ficha Suja), fato que daria reviravolta em nomes de eleitos etc.

Até achei interessante a leitura, mas ao mesmo tempo a considerei muito simplista, para não dizer egoísta, pois se resumiu à visão partidária, a uma avaliação interna, como se eleger representantes num Estado do porte de São Paulo fosse importante só para o partido, e não para milhões e milhões de interessados, que é a população paulista. Não ficou expressa por parte do partido, pelo menos na nota de jornal, preocupação com o prejuízo ao eleitorado.

Imaginemos: Se um voto determina ou não a eleição deste ou daquele candidato, o que dizer de dezenas, milhares de votos que podem ser atribuídos a um candidato que depois, finalmente, será cassado, pois durante a eleição estava com problemas com a Lei da Ficha Limpa?

Na linguagem do futebol seria comparável ao torcedor saber que seu time está com atletas irregulares na decisão e que vencer será só ilusão momentânea, pois o título será anulado, sem direito a outra partida e outra equipe será proclamada campeã ou quem sabe até mesmo toda competição será anulada?

Em nossa concepção, é dever de todos (principalmente da imprensa livre e interessada no futuro de sua cidade, região, Estado e País) divulgar para eleitores e população em geral a situação daqueles que se colocam como candidatos, ressaltando quais estão com problemas com leis como a da Ficha Limpa. Só assim o voto será cada vez mais ato de plena consciência e não objeto de venda ou barganha, que pode até satisfazer a ambição momentânea e egoísta de alguns, mas que trará conseqüências trágicas para muita gente. Será que estou errado? Pensem nisto...

O autor, Edson Silva, é jornalista e assessor de imprensa

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