Regional

Vereador nega o uso de verba pública ao pagar almoço ‘gordo’

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Lençóis Paulista - Uma nota fiscal emitida por restaurante de Bauru em nome da Câmara Municipal de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) causou indignação em moradores daquela cidade. A reclamação é de que a conta do almoço, que reuniu alguns vereadores e autoridades, teria sido paga com dinheiro público.

O presidente do Legislativo, Ismael de Assis Carlos (PSDB), conhecido como Formigão, nega qualquer irregularidade e afirma que se trata de gasto particular e que o estabelecimento errou ao emitir nota em nome da Câmara.

Cópia do documento obtida pelo Jornal da Cidade demonstra que, além da razão social e endereço do destinatário, consta na nota fiscal - emitida em 24 de junho - o CNPJ do Legislativo. Entre os itens consumidos pelo grupo, que deram origem à conta no valor de R$ 658,24, incluindo 10% dos garçons, estariam cinco quilos de picanha no valor total de R$ 334,50, ou R$ 66,90 o quilo, diversas porções, saladas, refrigerantes, sucos e até mesmo cerveja importada.

Conforme apurado pela reportagem, apesar da nota fiscal ter sido emitida com endereço do restaurante em Bauru, o almoço teria ocorrido na filial de Lençóis Paulista, localizada no Jardim Santo Expedito. A mesa no restaurante teria sido reservada a pedido do presidente da Câmara de Lençóis, Formigão, que também negociou pagamento posterior do almoço e solicitou nota fiscal.

No valor total discriminado no documento, além das despesas do almoço que reuniu vereadores e autoridades, também teria sido incluída uma refeição feita em data anterior, cuja conta ficou em R$ 60,60. Denúncia feita ao Jornal da Cidade aponta que a conta seria paga com verba da Câmara, fato negado por Formigão. Até ontem, o restaurante não havia recebido o valor devido. A previsão é de que o pagamento seja feito até o próximo dia 18.

“Equívoco”

O presidente da Câmara classifica o fato da nota ter sido emitida com o nome e CNPJ do Legislativo como um “equívoco” do restaurante e garante que efetuou o pagamento com seu próprio dinheiro. “Você só pode pagar uma conta pública se for uma coisa pública, e não era. Era uma coisa particular, minha”, afirma. “Eu deixo aberto os arquivos da Câmara Municipal para vocês verem que não tem um cheque pago para eles”.

Quando foi informado pela reportagem que a conta ainda não havia sido paga, apesar de decorridos mais de dois meses, o presidente reagiu com irritação. “Eles (proprietários) já entraram em contato comigo, já conversei com os donos e quem vai pagar sou eu, da minha maneira. Eu já paguei uma parte, vou pagar outra parte, da minha maneira, como sempre foi”, afirma.

A respeito do fato da nota fiscal ter sido emitida com endereço da unidade em Bauru, Formigão alega que não foi a pedido seu e que desconhece a forma como o restaurante efetua seus registros fiscais. “Quando eles mandaram a nota para mim eu falei: Não, isso aqui está errado, eu não posso pagar dessa maneira. Isso aqui não é a Câmara que vai pagar, sou eu”, diz. “Isso é coisa de política”.

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