São Paulo - O secretário de Transportes de Americana (217 quilômetros de Bauru), Jesuel Freitas, disse ontem que as linhas férreas devem ser removidas do perímetro urbano, sob risco de repetição de acidentes como o de anteontem.
Segundo ele, a cidade cresceu em torno da linha férrea, o que aumentou a ocorrência de acidentes - ele informou que entre 40% e 50% das linhas de ônibus da cidade cruzam a ferrovia em parte do trajeto. Freitas disse que há 135 mil veículos de passeio em circulação em Americana.
Há mais de um ano, a prefeitura tenta negociar com a concessionária ALL a mudança de local da malha férrea, que passaria a margear a cidade. Segundo o secretário, a área que hoje abriga os trilhos é de domínio da concessionária, o que impede a retirada pela prefeitura.
O secretário negou que o acidente tenha sido causado por má sinalização. “Além dos equipamentos visuais e sonoros, que estão em pleno funcionamento, há sempre um funcionário que alerta os veículos no cruzamento com a linha do trem, 24 horas por dia, sete dias por semana”, afirmou.
A assessoria da ALL informou que todas as obras relativas à malha ferroviária devem ser feitas pela União, após pedido do município.
A ALL afirmou ainda que tem a concessão do uso dos trilhos, e não do terreno por onde eles passam. A concessionária disse concordar com a retirada da linha férrea do centro da cidade.
O acidente aconteceu por volta das 23h15 da anteontem, numa passagem de nível na região central da cidade. Segundo o Corpo de Bombeiros, um ônibus foi arrastado por um trem por mais de 100 metros. Nove pessoas morreram e outras sete estão internadas, sem risco de morte, segundo o Hospital Municipal de Americana.