São Paulo - Imagine erradicar uma doença transmitida por mosquitos fazendo com que desenvolvam uma imunidade capaz de destrui-la antes que ela chegue às pessoas.
Nesse sentido caminham os estudos de pesquisadores dos EUA, Índia e do Brasil. Eles estão analisando a resposta imune do mosquito Anopheles gambiae ao parasita causador da malária - o Plasmodium falciparum.
O Anopheles é o principal mosquito vetor da malária na África, onde está a maioria dos cerca de um milhão de infectados no mundo. “Os Anopheles apresentam uma resposta imune natural ao Plasmodium, mas alguns parasitas conseguem completar o ciclo”, explica o biólogo Fábio Brayner, do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM).
Ele é um dos brasileiros envolvidos na pesquisa que rendeu, nesta semana, um artigo na “Science”. Os pesquisadores potencializaram a resposta imune dos mosquitos vetores da malária por meio de transferência da hemolinfa (equivalente ao sangue) de mosquitos infectados para sadios.
A transfusão foi feita por micromanipulação. “Conseguimos inocular o volume de hemolinfa desejado em mosquitos sadios. Depois, esses receptores foram infectados pelo Plasmodium”, explica o biólogo do CPqAM. O resultado foi que, com o passar do tempo, 100% dos mosquitos estimulados responderam eficientemente.
Mas ainda é cedo para se falar em erradicar a transmissão da malária.